quinta-feira, 19 de maio de 2016

Análise de Balanços de seguradoras - Parte 1: objetivos


Balanço diferente, índices diferentes, análise diferente

Sempre que temos uma disciplina de análise de Balanços vemos aqueles índices tradicionais (liquidez, endividamento, rentabilidade) aplicados às empresas tradicionais. Mas o acontece quando o objeto de estudo é uma corretora de seguros? veremos nesta coleção de postagem o quanto seus relatórios são distintos e suas peculiaridades.

Neste trabalho, para o objeto do estudo foi selecionada a empresa Azul Companhia de Seguros Gerais, uma sociedade de capital fechado com sede à Av. Rio Branco, 80 – 13º, 16º ao 20º andares – Rio de Janeiro (RJ) - Brasil. Tem por objeto social a exploração de seguros de danos e pessoas, em qualquer das suas modalidades ou formas conforme definido na legislação vigente, e trabalha por meio de sucursais em todo território nacional. A Companhia é controlada da empresa Porto Seguro S.A. (69,14%), a qual possui ações negociadas no Novo Mercado da BM&F BOVESPA, sob a sigla PSSA3. A AGE de 18 de dezembro de 2014 aprovou o aumento do capital social, com a participação da Porto Seguro Companhia de Seguros Gerais (30,65%), este em aprovação pela SUSEP.
Balanço da Azul Companhia de Seguros Gerais:


Balanço Patrimonial
2.010
2.011
2.012
2.013
2.014
ATIVO
1.181.717
1.297.351
1.586.014
1.909.486
2.305.574
ATIVO CIRCULANTE
996.387
1.134.873
1.431.697
1.510.923
1.305.914
DISPONIBILIDADES
586.499
694.951
886.224
899.628
536.704
Caixa e Bancos
4.968
6.515
12.632
19.949
18.746
Equivalentes de caixa
0
182.011
67.108
77.136
69.747
Aplicações financeiras
581.531
506.425
806.484
802.543
448.211
CRÉDITOS COM SEGUROS E RESSEGUROS
296.318
307.767
391.742
426.832
544.916
Prêmios a receber
269.669
257.860
338.278
412.881
528.720
Operações com resseguradoras
4.834
362
197
180
267
Outros créditos operacionais
16.480
15.603
18.208
9.323
13.427
Ativos de resseguro - provisões técnicas
0
1.438
1.802
3.640
1.760
Títulos e créditos a receber
937
389
423
499
438
Créditos tributários e previdenciários
4.792
31.736
32.375
57
84
Outros créditos
420
368
449
252
220
Operações com seguradoras
386
11
10
0
0
(–) Provisão para riscos de créditos
-1.200
0
0
0
0
OUTROS
113.570
132.155
153.731
184.463
224.294
Bens a venda
21.038
36.108
34.879
26.342
28.660
Outros valores
629
78
326
602
266
Despesas antecipadas
559
671
1.091
1.269
1.761
Custos de aquisição diferidos com seguros
91.275
95.298
117.435
156.250
193.607
Despesas resseguro e retrocessão diferidas
69
0
0
0
0
ATIVO NÃO CIRCULANTE
185.330
162.478
154.317
398.563
999.660
REALIZÁVEL A LONGO PRAZO
141.972
122.084
117.975
365.944
713.436
APLICAÇÕES
29.462
0
0
239.172
578.820
Aplicações no Longo Prazo
29.462
0
0
239.172
578.820
CRÉDITOS OPERACIONAIS
112.510
122.084
117.975
126.772
134.616
Outros créditos operacionais
0
0
0
0
3.047
Títulos e créditos a receber
2.949
209
209
209
209
Créditos tributários e previdenciários
31.309
37.048
38.959
42.917
42.542
Depósitos judiciais e fiscais
79.663
78.695
72.089
77.406
82.818
Outros créditos operacionais
1.653
6.077
6.581
6.104
5.847
Despesas antecipadas
0
55
137
136
153
(–) Provisão para riscos de créditos
-3.064
0
0
0
0
ATIVO PERMANENTE
43.358
40.394
36.342
32.619
286.224
INVESTIMENTOS
10.985
10.851
10.623
9.571
9.413
Participações societárias
2.200
1.970
1.923
688
716
Imóveis destinados à renda
12.066
8.881
8.700
8.883
8.697
(–) Provisão para desvalorização
-225
0
0
0
0
(–) Depreciação
-3.056
0
0
0
0
IMOBILIZADO
31.772
28.986
25.279
22.256
275.904
Imóveis de uso próprio
11.364
15.758
14.981
14.307
233.804
Bens móveis
28.284
12.455
9.677
7.332
8.196
Outras imobilizações
11.434
773
621
617
33.904
(–) Depreciação
-19.310
0
0
0
0
INTANGÍVEL
601
557
440
792
907
Outros intangíveis
601
557
440
792
907
PASSIVO
1.181.717
1.297.351
1.586.014
1.909.486
2.305.574
PASSIVO CIRCULANTE
816.391
886.041
1.129.137
1.343.911
1.644.816
CONTAS A PAGAR
77.782
84.267
113.355
122.209
142.054
Obrigações a pagar
45.089
25.978
40.648
73.023
83.537
Impostos e encargos sociais a recolher
22.401
21.854
27.666
33.628
42.638
Encargos trabalhistas
1.650
1.826
1.997
2.165
2.593
Impostos e contribuições
6.919
32.739
41.069
11.878
11.781
Outras contas a pagar
1.723
1.870
1.975
1.515
1.505
DÉBITOS DE OPERAÇÕES COM SEGUROS E RESSEGUROS
61.643
68.378
71.545
60.819
75.648
Prêmios a restituir
8
44
55
89
122
Corretores de seguros e resseguros
32.400
31.851
40.240
48.553
62.386
Outros débitos operacionais
28.001
35.335
29.887
12.177
13.140
Operações com seguradoras
205
205
205
0
0
Operações com resseguradoras
996
943
1.158
0
0
Comissões a pagar
33
0
0
0
0
DEPÓSITOS DE TERCEIROS
4.403
3.298
8.201
13.597
11.039
Depósitos de terceiros
4.403
3.298
8.201
13.597
11.039
PROVISÕES TÉCNICAS - SEGUROS
671.251
728.719
934.550
1.145.717
1.414.447
Danos
0
724.339
932.071
1.142.582
1.411.411
Pessoas
0
4.380
2.479
3.135
3.036
Provisão de prêmios não ganhos
512.797
0
0
0
0
Provisão de sinistros a liquidar
147.487
0
0
0
0
Provisão de sinistros ocorridos mas não avisados
7.698
0
0
0
0
Outras provisões
3.269
0
0
0
0
PROVISÕES TÉCNICAS - PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR
1.312
1.379
1.486
1.569
1.628
Planos bloqueados
0
1.379
1.486
1.569
1.628
Provisão matemática de benefícios a conceder
31
0
0
0
0
Provisão de benefícios a regularizar
1.281
0
0
0
0
PASSIVO NÃO CIRCULANTE
365.326
411.310
456.877
565.575
660.758
EXIGÍVEL A LONGO PRAZO
87.773
91.361
84.051
87.613
95.445
CONTAS A PAGAR
6.482
8.474
9.212
9.477
11.132
Obrigações a pagar
1.069
1.418
1.735
1.210
1.519
Tributos diferidos
5.353
6.996
7.417
8.207
9.613
Outras contas a pagar
60
60
60
60
0
OUTROS DÉBITOS
81.291
82.887
74.839
78.136
84.313
Provisões judiciais
81.291
82.887
74.839
78.136
84.313
PATRIMÔNIO LÍQUIDO
277.553
319.949
372.826
477.962
565.313
CAPITAL SOCIAL
100.000
150.000
180.000
200.000
235.000
Capital social
100.000
150.000
180.000
200.000
235.000
RESERVAS DE CAPITAL
14.323
14.323
14.323
0
253.173
Aumento de capital (em aprovação)
14.323
14.323
14.323
0
253.173
RESERVAS DE REAVALIAÇÃO
4.423
3.835
3.742
3.648
3.554
Reservas de reavaliação
4.423
3.835
3.742
3.648
3.554
RESERVAS DE LUCRO
158.807
151.791
174.761
275.940
78.567
Reservas de lucros
158.807
151.791
174.761
275.940
78.567
LUCRO/PREJUÍZOS ACUMULADOS
0
0
0
-1.626
-4.981
Ajustes de avaliação patrimonial
0
0
0
-1.626
-4.981

DRE da Azul Companhia de Seguros Gerais:


DRE
2.010
2.011
2.012
2.013
2.014
Prêmios retidos
990.525
1.166.705
1.445.883
1.828.034
2.239.851
Prêmios emitidos líquido
991.956
1.069.586
1.363.547
1.824.792
2.235.540
Receitas com emissão de apólices
0
97.119
82.336
3.242
4.311
Prêmios resseguros cedidos
-1.431
0
0
0
0
Deduções da receita bruta
-130.306
-14.939
-177.816
-189.084
-217.052
Variações das provisões técnicas de prêmios
-130.306
-14.939
-177.816
-189.084
-217.052
Prêmios ganhos
860.219
1.151.766
1.268.067
1.638.950
2.022.799
Custo dos bens ou serviços vendidos
-766.320
-1.032.973
-1.092.020
-1.302.340
-1.631.824
Sinistros ocorridos
0
-820.267
-860.511
-1.007.841
-1.264.944
Custos de aquisição
0
-212.706
-231.509
-294.499
-366.880
Sinistros retidos
-596.057
0
0
0
0
Despesas de comercialização
-170.263
0
0
0
0
Resultado Bruto
93.899
118.793
176.047
336.610
390.975
Outras receitas e despesas operacionais
57.706
-16.646
-54.234
-87.410
-113.522
Resultado com resseguro
44.485
-34.361
-37.893
-40.715
-87.109
Outras receitas e despesas operacionais
44.485
-32.319
-38.919
-43.580
-85.455
Receitas com resseguro
0
0
1.574
2.876
0
Despesas com resseguro
0
-2.042
-548
-11
-1.654
Gerais e administrativas
-84.364
-107.416
-144.514
-177.849
-219.684
Despesas administrativas
-67.174
-82.007
-118.419
-142.857
-175.348
Despesas com tributos
-17.190
-25.409
-26.095
-34.992
-44.336
Financeiras
95.387
122.380
125.483
128.447
189.801
Receitas financeiras
95.387
122.380
125.483
128.447
189.801
Resultado financeiro
95.387
122.380
125.483
128.447
189.801
Resultado equivalência patrimonial
2.198
2.751
2.690
2.707
3.470
Resultado patrimonial
2.198
2.751
2.690
2.707
3.470
Resultado operacional
151.605
102.147
121.813
249.200
277.453
Resultado não operacional
-149
99
-36
-20
-38
Ganhos ou perdas com ativos não correntes
-149
99
-36
-20
-38
Resultado antes tributação/part.
151.456
102.246
121.777
249.180
277.415
Provisão p/ IR e CSLL
-52.837
-32.948
-37.945
-86.785
-94.888
Imposto de renda
-33.171
-20.805
-23.978
-54.308
-59.287
Contribuição social
-19.666
-12.143
-13.967
-32.477
-35.601
Participações/contr. Estatutárias
-11.420
-9.495
-10.915
-18.767
-19.767
Participações sobre o lucro
-11.420
-9.495
-10.915
-18.767
-19.767
Lucro/prejuízo do exercício
87.199
59.803
72.917
143.628
162.760
Número de ações (mil)
17.990.140
17.990.140
17.990.140
17.990.140
25.943.605
Lucro por ação
5
3
4
8
6

Para realização das análises dos demonstrativos contábeis, este trabalho segue um misto de metodologias de análises defendidas por Iudícibus (2012), Neves e Viceconti (2001), Savytzky (2011), consulta ao modelo simplificado de relatório de análise de Lins & Filho (2012, p.180 a 185), Assaf Neto (2010), entre outros autores.
O principal objetivo quando se analisa um conjunto de relatórios contábeis consiste:
[…] no exame isolado das contas, na comparação de grupos de contas entre si ou em relação ao todo. Essas comparações podem ser feitas por números absolutos, números-índices, percentagens e quocientes. Alguns deles são indispensáveis e, por isso, podem ser tidos como básicos, e outros complementares, que funcionam como auxiliares na determinação do diagnóstico, ou ainda, para fins estatísticos [SAVYTZKY, 2011]1.
A análise de balanços é de suma importância para uma empresa que pretende se evoluir, pois através dela pode obter informações importantes sobre sua posição econômica e financeira, havendo para tanto índices mais comuns e complementares para ramos de atividades mais específicos, como é o caso das seguradoras.
Assim, dois fatores são importantes à análise de balanços: a qualidade das informações e o volume de informações disponibilizadas a quem for analisar. De acordo com Assaf Neto (2010), os relatórios contábeis devem ser elaborados com uma acessível aos administradores, por sua vez, linguagem utilizada pela análise de balanços deve ser a corrente, sem fatores que compliquem os usuários dos relatórios contábeis.
No enfoque tradicional da análise sobre os índices extraídos dos Balanços verifica-se um paralelo com um trabalho artesanal, sendo que em muitas vezes, uma análise aprofundada que demanda tempo na preparação de informações e na condução das conclusões, muito utilizada como suporte a decisões de investimentos ou concessões de financiamentos [SANTOS & CASA NOVA, 2005]2.
Da mesma forma, os modelos integrados de análise de demonstrações contábeis surgem para organizar e condensar a informação, permitindo afastar a subjetividade do analista [SANTOS & CASA NOVA, 2005]. Dessa forma, deve-se observar a metodologia, já que a análise baseia-se no raciocínio científico, contando também com a sensibilidade e experiência do analista.
Conforme Iudícibus (2012 p.6):
Basicamente, o anseio de analisar os demonstrativos contábeis, e de seus relacionamentos numéricos extrair indicações de importância para determinado interesse decisório de ordem econômica, é tão antigo quanto a existência da Contabilidade. A expressão “Análise de Balanços” deve ser entendida em sentido amplo, incluindo os principais demonstrativos contábeis e outros detalhamentos e informações adicionais que sejam necessários (por exemplo, no caso de a análise destinar-se à administração da empresa). Adicionalmente, a análise de balanços, pela sua natureza financeira, apresenta limitações, as quais serão sempre lembradas.
Assim, a análise por meio de índices tem como principal finalidade permitir ao analista, extrair tendências e comparar quocientes, a partir de dados de acontecimentos passados a fim de prever situações futuras que possam ser positivas ou negativas ao bom desenvolvimento da entidade. Ao final, as informações extraídas servirão para diversos atores interessados na empresa, sendo em especial, os investidores, que:
Para tanto, qualquer empresa pode adotar critérios de periodicidade para efetuar suas análises, dependendo da situação crítica de cada item do balanço, ou de qualquer demonstração financeira.
No entanto, independente da técnica a ser utilizada, segue-se que:
[…] Na primeira etapa uma análise detalhada das informações pela leitura das demonstrações contábeis, de forma a compreendê- las em sua integridade. Na segunda etapa são calculados os índices, percentuais e quocientes tradicionais [SANTOS & CASA NOVA, 2005].
De fato, uma empresa possui boa situação econômico-financeira quando apresenta adequado equilíbrio entre sua liquidez e sua rentabilidade [COSTA et al, 2008]3. Para que uma análise financeira mostre realmente a situação econômica de uma empresa, o estudo não pode estar limitado apenas a um exercício social. Pois revelaria muito pouco. Desse modo, o analista deverá adotar um critério para “eleição” das contas a serem ou não incluídas nos demonstrativos para efeito de análise, e verificar se ultrapassam ou não certa porcentagem do total do grupo a que pertencem.
Os conceitos de solvência e liquidez são intimamente relacionados e tratados como sinônimos na literatura. Santos e Santos (2008) definem o conceito de liquidez como sendo a relação dos ativos realizáveis com a capacidade financeira de pagar suas dívidas, e solvência a situação em que os ativos totais da empresa superam os totais dos passivos. Entretanto, existem situações de empresas em que métodos alternativos de avaliação da liquidez demonstram que a empresa possui capacidade de pagamento, todavia, há índices tradicionais que indicam ausência de liquidez.
O Balanço Patrimonial padronizado é um demonstrativo financeiro que consiste em reclassificar algumas contas presentes nas demonstrações contábeis como no balanço patrimonial e nas Demonstrações do Resultado do Exercício, transferindo-as para um modelo novo, previamente definido com a finalidade de padronização. E desta forma melhorando sua eficiência já que transmite ao mesmo tempo simplificação, comparabilidade, precisão das contas, descoberta de casos, etc.
Associando o uso de índices econômico-financeiros com a análise contábil do negócio, o gestor terá em mãos informações importantes para uma gestão mais assertiva, tais como: nível do estoque, o imobilizado, a liquidez da empresa, o grau de endividamento, o retorno dos investimentos, rentabilidade do patrimônio líquido, lucratividade, solvência, composição do endividamento, composição do capital e patrimonial [MATARAZZO, 2010].
“Os indicadores de liquidez evidenciam a situação financeira de uma empresa frente a seus diversos compromissos financeiros” [NETO, 2012].
Matarazzo (2008) define o papel dos índices de Balanço como sendo a relação entre contas ou grupos de contas das Demonstrações Financeiras, que visa evidenciar determinado aspecto da situação econômica ou financeira da empresa.
Precisamos considerar todos os índices utilizados na análise e sabermos efetuar as devidas associações dos diferentes quocientes encontrados de liquidez para obter uma análise mais correta e realista da situação econômica e financeira da empresa.


1SAVYTZKY, Taras. Análise de Balanços. Curitiba: Juruá, 2011.
2SANTOS, Ariovaldo do & CASA NOVA, Silva Pereira de Castro. Proposta de um modelo estruturado de análise de demonstrações contábeis. In: RAE-eletrônica, v. 4, n. 1, 28 pp., jan./jul. 2005.

3COSTA, L. G..; LIMEIRA, A. F.; GONÇALVES, H. M. & CARVALHO, U. T. Análise Econômico-Financeira de empresas. Rio de janeiro: FGV. 2008.