segunda-feira, 9 de maio de 2016

Calculo do Custo do Capital para o Eva - 2ª Parte



Calculo do Custo do Capital para o Eva - 2ª Parte

Vejamos a seguir, apenas para efeito de comparação do custo ponderado do capital de terceiros do ano de 2004 até o ano de 2006 de algumas das empresas listadas no mercado, inclusive a Eletrobras, que já teve seu custo definido no quadro anterior. Observação: os dados abaixo foram calculados pelos alunos do curso de ciências contábeis da UMC, turma E, período noturno e os dados que faltam se justificam por que por motivos alheios, não se conseguiu calculá-los.
Quadro 5: Custo Médio Ponderado do capital de terceiros das empresas do mercado
Empresa
2004
2005
2006
Vale
4,87
6,50
7,59
PQV
-
-
-
Natura
10,72
13,67
14,22
Eletrobras
6,51
5,85
6,13
Copesul
-
-
-
Gol
-
-
-
AmBev
-
9,5
7,54
TAM
7,97
11,16
11,59
Vivo
5,41
11,59
-
Rondon
-
-
-
Cremer
12,28
19,65
15,02
Tractebel
17,94
19,65
18,11
Hausto*
8,01
9,02
9,58
Duratex
-
-
-
CSN
-
9,20
8,58
S. Cruz
-
-
-
M...
10,43
9,91
8,94
Cemig
14,76
14,50
13,22
Copel
15,16
36,94
44,34
Marcopolo
11,66
11,04
8,48
Sabesp
8,95
9,07
8,43
UCP
3
3,83
7,48
Hering
-
-
-
Aracruz
11,22
11,87
9,40
Weg
8,61
5,5
6,19
TIM
-
-
-
Uni par
18,99
17,33
15,44
Klabin
14,97
21,54
9,93
Eletropaulo
6,63
8,38
8,83
Embraer
7,19
8,46
8,58
Embratel
-
-
-
CBD
-
-
-
Brastemp
26,84
28,27
32,51
Metal Leve
27,80
32,35
36,29
Sobre o quadro acima se pode tirar algumas considerações:
  • Uma vez que trata de custos entende-se que quanto menor a taxa do custo médio ponderado do capital de terceiros melhor para a empresa;
  • E quando ocorre o contrário, isto é, aumento do custo, como ocorreu com o Metal Leve, Brastemp, Embraer, Copel, TAM e Natura, deve-se procurar resolver o problema de alguma forma, seja por renegociação da taxa ou procura de outros financiadores.
E recapitulando o que já foi feito segundo as informações da Eletrobras tem-se o seguinte: e = r – c, sendo que em 2004 o valor de r = 2,04%; 1,86% em 2005 e 1,83% em 2006. Falta então calcular o valor do custo do capital total, obtido pela ponderação entre o custo do capital de terceiros e o do capital próprio, sendo que o segundo custo já foi definido.
Para definir o valor do capital próprio antes temos que definir o valor em reais da média do PL anterior com o PL atual, assim como foi feito com o ativo e o capital de terceiros. Como o ativo é igual ao passivo, no cálculo do investimento “i” seria possível a utilização da equação a seguir, uma vez que o resultado nela obtido é igual à média do ativo total:
Equação 2: Cálculo do capital médio total
Contudo essa fórmula não serve para calcular o valor total do custo percentual que resta para calcular o Valor Econômico Agregado, uma vez que o capital próprio apresenta o custo de oportunidade e não se confunde ou iguala ao custo de um empréstimo ou financiamento bancário. Assim forma-se outra fórmula que seja capaz de traduzir a realidade em um modelo mais seguro e confiável, conforme a expressão a seguir:
Equação 3: Custo do capital próprio
Sendo que a Taxa Selic consta na equação em virtude de ser uma alternativa de retorno de outro investimento para o acionista ou investidor. Trata-se de uma taxa livre de risco que o governo paga quando toma dinheiro emprestado da população e por este contexto, representa o menor risco, além de poder render mais que a empresa. No outro ponto da formula surge o Índice da Bovespa – Bolsa de Valores do Estado de São Paulo. Este índice mostra o que em media o mercado conseguiu fazer render no que tange as ações. Por fim, a letra grega β (Beta) representa a correlação entre a ação da respectiva empresa na qual se quer encontrar o valor do EVA e o IBOVESPA. Concluindo, trata-se do custo do acionista em comprar ações do governo.
Mas como se calcula a correlação de uma ação? Vejamos: Suponha-se que a empresa Sadia, hipoteticamente, tenha suas coes cotadas a 20,12 reais em 25/05/2007 e 21,50 reais no dia seguinte, constatando uma variação de 6,86%. Suponha-se também que nessas mesmas datas a ação do IBOVESPA tenha apresentado os respectivos valores: 50.407 e 53.864,34 pontos, também acabaram apresentando aumento de 6,86% de um período para o outro. Assim:
Quadro 6: Exemplo de correlação

25/05/07
26/05/07

Correlação
Ação da Sadia
R$ 20,12
R$ 21,50
6,86
6,86÷6,86=1
IBOVESPA
50.407
53.864,34
6,86
Ocorreu no exemplo uma correlação de valor igual a 1, uma vez que quando a ação da empresa subiu 6,86%, i índice IBOVESPA respondeu com igualdade, com aumento de 6,86% em relação ao dia anterior. E assim, têm-se mais uma equação utilizada para o cálculo do valor econômico agregado, qual seja a seguinte:
Equação 36‑4: Beta da ação.
Mas por suposição continuemos o exemplo do quadro anterior para dois dias à frente, mas desta vez, a ação da Sadia subiu de R$ 22,19 para R$ 22,63 e o IBOVESPA de 55.588 para 56.422 pontos. Não houve correlação igual a um: para a Sadia a variação foi de 1,98% e para o IBOVESPA, de 1,56%. O resultado da divisão de uma variação por outra encontrou o número 1,32 (sem arredondamentos ou truncar). Qual foi a correlação nesse caso? A resposta é fornecida pelos números após a vírgula. Assim, toda vez que o IBOVESPA sobe, a ação da Sadia sofre aumento de 0,32 vezes 100, totalizando 32,16% a mais do que o aumento do Índice. Se por exemplo o IBOVESPA aumenta 3% de um dia para o outro, a ação da Sadia aumenta em 3,96%, isto é, 3% mais 0,96%.
E vejamos mais destes exemplos hipotéticos apenas para firmar o entendimento sobre o assunto Beta da ação e da correlação:
Inscrição em faculdades locais, 2005
Quadro 36‑7: Mais exemplos de correlação
Empresa
Índice
Resultado
Resultado da divisão
Gerdau
IBOVESPA
De 10 para 15
1,50
15
10
+ 50%

General Motors
IBOVESPA
De 3,5 para 4,7
1,34
4,7
3,5
+ 34,29%

Perdigão
IBOVESPA
De 2,18 para 2,46
1,13
2,46
2,18
+ 12,84%

Fonte: Dados fictícios, apenas para fins ilustrativos
E como já é possível entender os pelo menos como funciona basicamente a fórmula do custo do capital próprio vejamos o exemplo utilizando o ultimo resultado do quadro anterior, apenas para fins didáticos:
 → → →
O resultado de 22,91 representa o valor mínimo para o acionista comprar ação da empresa. A empresa pode até valorizar suas ações, deixando-as pelo preço de 15 reais, mas o investidor apenas as comprará se a entidade conseguir fazer que elas valorizem mais, com um aumento de no mínimo 22,91%. O resultado do Beta da ação não sofre flutuações ao longo do ao, uma vez que é calculado anualmente.
E supondo ainda que uma empresa tenha capital próprio com o valor de 100.000 reais, sendo que R$ 10.000 representam o seu lucro líquido do exercício (registrado em reservas de lucro) e 40.000 reais os lucros acumulados, totalizando R$ 140.000. A empresa tem seu capital pulverizado em 1.000 ações de igual valor cada uma em R$ 100,00.
Contudo, com os lucros acumulados ocorreu valorização destas ações, que subiram para R$ 140,00 cada uma. Suponha-se ainda que a empresa venha após um período apresentando prejuízos, o que fez com que o capital próprio total caísse de 140 para 95 mil reais. E em decorrência disso, a ação que antes valia 140 reais passou a valer 95 e quem fosse vender pelo valor de antes não conseguirá mais fazê-lo.
E após toda essa explicação sobre ações vamos finalmente aos cálculos do EVA da Eletrobras, começando pelo custo do capital próprio. Para os cálculos, utilizaremos os valores da Selic e do Ibovespa anuais expostos no quadro a seguir:
Quadro 8: Meta Selic e Índice Bovespa de 2004, 2005 e 2006
Ano/índice
2004
2005
2006
Selic
17,75
18,00
13,25
IBOVESPA
17,81
27,71
32,93
Fonte: Dados fictícios, apenas para fins ilustrativos
Por falta de sucesso por parte dos alunos do curso de graduação de Ciências Contábeis da UMC, turma E período noturno em conseguir o Beta da ação das empresas pesquisadas o professor da disciplina de Controladoria adotou como valor para todos os alunos o índice de 1,20%, que também será adotado neste livro. E dando prosseguimento a análise e definição do EVA da Eletrobras têm por fim o cálculo do valor do custo do capital próprio na expressão a seguir:
 →
 →
 →
 →
E seguindo o mesmo método, mas para o ano de 2005 temos:
 →
 →
 →
E para encerrar, o resultado de 2006:
 →
 →
A fórmula do custo médio do capital total pode encontrar o custo da empresa, da mesma forma que a calculadora financeira HP 12-C. Neste livro o cálculo será realizado apenas pela calculadora (por ser mais prático), mas ainda exige encontrarmos o valor do capital médio e do capital de terceiros total (isto é, inclui os valores que não apresentavam taxa) definidos a seguir:
 → →
 → →
 → →
E o capital de terceiros total:  .
 = ,00
 = ,00
 =
Agora tendo em mãos os dados necessários para a ponderação do custo do capital total basta aplicar as informações na fórmula, mas antes disso, segue o quadro resumo desses dados para facilitar a visualização:
Quadro 9 : Cálculo do Custo Médio Ponderado do capital total
Capital
200420052006
De terceiros
20.851.516,0017.554.678,0015.464.818,50
CMPCT
6, 5115, 8546, 135




Capital Próprio
68.707.286,5072.794.349,5076.775.339,00
CMPCP
17, 82229, 65236, 866




Capital Total
89.558.802,5090.349.027,5092.240.157,50
CMPC% total
15, 18825, 02831, 714
E para dar prosseguimento aos cálculos a equação do custo médio ponderado do capital total da Eletrobras dos anos de 2004, 2005 e 2006.
 →15, 188%
Para 2005 temos:
 →25, 028%
E para 2006 temos:
 →31, 714%
E finalmente segue a conclusão de toda essa jornada de cálculos: a fórmula do EVA:
 =
 =

Para encerrar, a empresa Eletrobras demonstrou que além de não conseguir gerar valor agregado com seus produtos também está destruindo valor e pior, a situação fica ainda mais negativa de um ano social para o outro.