quarta-feira, 22 de junho de 2016

Inserindo tema, objetivos e justificativas em seu relatório de estágio


Bem vindos mais uma vez ao Essenziale e desta vez apresentaremos um modelo de introdução para um você usar em seu relatório de estágio que a faculdade está a exigir. vamos ao modelo.

    RELATÓRIO DE ESTÁGIO – TEMA: APLICAÇÃO E UTILIDADE DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL PARA O CLIENTE

      INTRODUÇÃO AO TEMA

Os conhecimentos adquiridos durante um curso de graduação acabam servindo de âncora para o futuro profissional. Durante um curso de Ciências Contábeis são vistas matérias, teorias e métodos que abrem a porta do aluno para múltiplas opções de atuação no mercado, mas que após um tempo já exercendo a profissão acaba percebendo que muito não cabe em todas as situações e o que foi aprendido fica em desuso. Soma-se a isso o fato que a contabilidade brasileira é sufocada por infinidades de leis, decretos, normas e portarias que não deixam espaço para a essência contábil.
O resultado disso são escritórios de contabilidade que se prestam a oferecer apenas o básico aos seus clientes, que acabam acreditando que a contabilidade é aquele custo a mais da empresa que serve apenas para evitar dores de cabeça com o Fisco. Não é verdade. As alterações emitidas pelo Conselho Federal de Contabilidade em suas Normas para adequar a contabilidade brasileira aos padrões internacionais tem mostrado o quando é exigido do profissional contador o conhecimento contábil puro.
Outro ponto que tem feito o profissional voltar a olhar aqueles balanços vistos na sua graduação é a evolução da informação. No ano de 2015 passou a ser obrigatório para todas as empresas de lucro presumido que tivesse declarado usufruir de lucro no ano envio da escrituração contábil digital ao governo. Por meio do SPED Contábil os escritórios de contabilidade que tivessem clientes que atendessem àquela condição estavam obrigados a gerar o arquivo de escrituração digital de toda a contabilidade, num arquivo de texto, para depois importar o arquivo para o programa do Governo e por meio deste efetuar a entrega pela internet até o final do mês de junho.
Pouco depois foi a vez da Escrituração Fiscal contábil (ECF), que usava os dados da primeira e ainda era alimentada com as informações fiscais que outrora eram declaradas na extinta DIPJ. Ao final eram gerados arquivos validados com certificado digital e que nas mãos do governo passam a permitir o cruzamento de dados de uma forma que até então só existia nos outros departamentos dos escritórios de contabilidade.
Tudo isso contribui positivamente para tirar o mal profissional contábil de sua zona de conforto, afinal, se antes ele deveria ser muito bom em Folha de Pagamentos e Tributação, passa a ter que dominar a área contábil – o que faz respingar os benefícios nos clientes. Durante o estágio que deu origem a este estudo foi posto em prática a utilidade da escrituração contábil para o atendimento das obrigações recentemente exigidas pelo Governo por meio do SPED. E além desse aspecto compulsório, os procedimentos de ritina demonstraram o quando se exige do profissional sob o quesito de seguir princípios e convenções além da capacidade de projetar informações futuras em contabilizações de empréstimos de longo prazo.
Constatou-se in loco durante o estágio que esse rol de procedimentos deixados de lado por maus profissionais faz a diferença em prestações de contas. Aos poucos a contabilidade está ganhando o espaço que merece.


      O relatório de estágio

Os escritórios de contabilidade são muitas vezes vistos pelos clientes como sendo aquele mal indispensável, aquele custo que tem que ter se não quiser ter problemas futuros com o Fisco ou o Ministério do Trabalho e Previdência. No entanto, qualquer um que se aproxime do universo contábil verá que essa ciência não é apenas uma burocracia, mas uma ferramenta que poderá trazer informações preciosas para seu empreendimento.
Em decorrência de todo o preparo para se tornar profissional na matéria, “o contador em sua formação tem conhecimento de informações podendo atuar como controller, contador de custos, auditor interno, contador fiscal, consultor e cargos administrativos” [SILVA & ALVES, 2012]1.
Para os clientes, os serviços prestados pelos profissionais representam experiências intangíveis e dessa forma, tudo o que for cobrado poderá sair de forma negativa. Como explicam Silva e Alves (2012), isso ocorre pelo fato da contabilidade de várias empresas serem realizada por obrigação legal, pois os empresários não reconhecem a importância que a contabilidade assume para a gestão da empresa, se for elaborada por profissional competente.
Uma das maiores dificuldades das prestadoras de serviços é encontrar o preço ideal que será cobrado de seus clientes, esse fato ocorre porque uma prestação de serviço envolve, em grande parte, apenas a mão de obra empregada [PINTO & PASTORE, 2014]2. Isso acaba coibindo o profissional em aplicar um preço justo para o serviço de todos os departamentos, incluindo o contábil, o que faz com que ou deixe de aumentar os honorários ou deixe de contratar mão de obra qualificada, para reduzir seus próprios custos.
Para contornar essa má impressão dos clientes cabe aos escritórios de contabilidade oferecer um serviço diferenciado, mostrando que contabilidade pura (e não apenas escrituração fiscal ou folha de pagamento) pode sim ser útil para eles.
Dessa forma, a escrituração contábil, que por sinal é exigência estabelecida textualmente pela Lei no 10.406/02, arts. 1.179 e 1.180, não pode jamais ser confundida como mera escrituração fiscal, sendo que:
Porquanto nesta, a fiscal, os objetivos consistem atender as necessidades dos órgãos fiscalizadores, uma vez que os agentes públicos, nas suas atribuições funcionais, dependem dos registros para poder aferir e atestar como as obrigações decorrentes das relações tributárias que vinculam o sujeito ativo e passivo foram efetivamente satisfeitas. Logo, não há como confundir as duas escriturações. Mas para tanto deve mostrar ao cliente o que é feito e disso surge o tema deste trabalho: a escrituração contábil [SCHNORR et al, 2008]3.
No entanto, como foi mencionado, como a contabilidade é um serviço, cabe ao escritório vender seu serviço como um produto – como fazem os bancos ao nomearem seus serviços financeiros – o que faria, de certa forma, com que o cliente olhasse o honorário como um investimento para melhorar seu empreendimento.
O tema do estudo refere-se à tentativa de mostrar a importância que tem a rotina de contabilizar os documentos entregues pelo cliente. Detalhadamente tem-se que:
Importância: há uma série de benefícios que são obtidos ao se efetuar a escrituração do movimento contábil do cliente, como por exemplo, a obtenção da real situação da empresa, algo que pode ser exigido num empréstimo bancário futuro;
Efetuar corretamente: não basta o escritório ter contabilidade mas contabilizar os documentos de forma irregular. Da mesma forma, deve-se salientar que os clientes não tem a definição do que é documento idôneo para a contabilidade, o que faz com que lotes de papéis informais sejam levados ao contador, que por sua vez, por desconhecimento ou falta de cuidado, lança tudo nos sistemas de contabilidade, gerando informações incorretas sobre a empresa cliente.
Os serviços de escritórios de contabilidade que oferecem ao cliente apenas o básico das áreas fiscal e de folha de pagamento – o que na verdade é insuficiente – fazem com que a imagem do contador seja prejudicada.
E o quadro piora quando até mesmo esses serviços básicos são feitos de qualquer jeito, entregues fora dos prazos ou com erros –, deixando algumas vezes o ônus para o cliente. Por esta razão,
É importante ressaltar como descrito pelos contabilistas que deve haver mais união entre os profissionais da área em ordem municipal a fim de combater profissionais que denigrem a imagem da profissão levando ao descrédito o mercado consumidor em relação à mão de obra contábil. Igualmente, vale alertar que é de fundamental importância o contabilista cumprir as normas do Conselho Federal para uma boa conduta perante os companheiros de classe, tendo como objetivo a consciência de sua função [SILVA & ALVES, 2012].
No Brasil, com as exceções, a escrituração mercantil e as atribuições do contador sempre estiveram associadas ao pagamento de impostos e independente da forma de tributação, é a contabilidade que posiciona o gestor como estão se portando os negócios: qual a rentabilidade; o grau de endividamento; o comportamento das contas a receber e a pagar; a capacidade de solvência, antecipando por conta das informações, causas, consequências, alternativas que se dispõem para a correção dos desvios em relação aos planos estabelecidos [SCHNORR et al, 2008].
Diante da importância da escrituração contábil por parte dos escritórios de contabilidade, o trabalho, aqui apresentado, limita-se a explorar seus conceitos, atribuições, obrigatoriedade e sobretudo, as vantagens e desvantagens de sua adoção.
Ao final do estudo são expostos os procedimentos de rotina aplicados pelo escritório que permitiu o estágio no qual o trabalho tem origem – para a escrituração contábil dos documentos enviados pelos clientes, como forma de exemplo para aqueles que a consideram desnecessária.
Destaca-se que a grande maioria dos clientes do referido escritório não empresas optantes pelo regime tributário do Simples Nacional, o que para muitos significaria a desobrigação da apresentação de balanços.
Contudo entende-se que a escrituração contábil, ainda que de forma simplificada, deve ser satisfeita pelos contabilistas em atendimento aos diversos dispositivos da legislação de regência, sob pena de punição e responsabilidade profissionais, conforme vínculo obrigacional que seguem [SCHNORR et al, 2008].
Ainda segundo o autor citado, mesmo quando simplificada, se presta para posicionar informações próprias da contabilidade gerencial, com reflexos positivos nas interações dos planos, das execuções e dos controles corporativos. Logo, considerando estes aspectos, a Contabilidade é importante para:
  • I. Apuração do custo dos produtos, das mercadorias e dos serviços vendidos;
  • II. Formação dos preços de venda;
  • III. Estabelecer necessidades de capital de giro;
  • IV. Apuração de indicadores econômicos e financeiros;
  • V. Planejamento empresarial ou fiscal para a empresa;
  • VI. Eficiência e segurança nas tomadas de decisão.


      Objetivo geral

O estudo busca demostrar uma tabela estimativa/hora, com intuito de proporcionar uma melhor elaboração na proposta de honorários periciais contábeis.



      Objetivo específico

O objetivo específico tem por finalidade:
  • Apresentar um resumo do que é geralmente feito em cada departamento de um escritório, para depois diferenciá-lo do contábil;
  • Detalhar os procedimentos para a escrituração dos documentos do movimento enviado pelos clientes;
  • Detalhar os procedimentos de entregação com outros departamentos e;
  • Destacar os desafios impostos pela tecnologia e pelo governo (pelo SPED);

      JUSTIFICATIVA DO TEMA

São vários os benefícios trazidos pela escrituração contábil, que vão do fato de cumprimento às legislações vigentes ao fornecimento de informações gerenciais úteis. Constam como vantagens da escrituração contábil regular [DEL FRARO et al, 2010]:
a) proporcionar um maior controle econômico e financeiro;
b) a empresa que enfrenta dificuldades financeiras, tendo a escrituração regular, tem o direito de pedir benefício da recuperação administrativa e judicial;
c) necessidade de comprovação ao cumprimento de obrigações trabalhistas;
d) caso haja divergências entre sócios de uma empresa, o Código de Processo Civil dispõe que os livros contábeis, que preencham os requisitos exigidos por lei, provam também a favor do seu autor no litígio entre empresários;
e) facilitar o acesso às linhas de crédito;
f) segurança e confiabilidade nas demonstrações que a fiscalização poderá exigir e examinar, no caso de a escrituração estar regular, evita-se crime de sonegação com pena de multa;
g) para o Código Tributário Nacional, isenção do imposto de renda na distribuição de lucro aos sócios, se comprovada na Escrituração Contábil;
h) distribuição de lucros antecipadamente;
i) demonstração aos sócios que se retiram da sociedade a verdadeira situação patrimonial, para fins de apuração de haveres ou venda de participação;
j) prova em juízo, a situação patrimonial na hipótese de questões que possam existir entre herdeiros e sucessores de sócio falecido;
k) comprova em juízo fatos cujas provas dependem de perícia contábil;
l) proporciona maior capacidade na administração do capital de giro e sua devida utilização;
m) oferece maior solidez nos planejamentos de curto, médio e longo prazo;
n) posiciona o administrador, suprindo a exigência do Novo Código Civil quanto às prestações de contas.

1SILVA, Elizeu Martins da; ALVES, Marcelo Evandro Alves. Percepção dos contabilistas dos escritórios de contabilidade de Tangará da Serra – MT em relação à ética e o reconhecimento da classe contábil. In: Revista UNEMAT de Contabilidade, jul./dez. 2012, v. 2, n. 1, pp. 235-256.
2PINTO, Franciele Rodrigues; PISTORE, Gisele Carina. Proposta de um método de custeio para a formação do preço de venda de um escritório de contabilidade da Serra Gaúcha. In: SEMINÁRIO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS DA FSG, Caxias do Sul. ANO VIII, v.5, n.1, 2014.
3SCHNORR, Paulo Walter; CHIOMENTO, Domingos Orestes; ARAKAKI, Marta Maria Ferreira; AZEVEDO, Eduardo Araújo de; SOUZA, Nivaldo Soares de. Escrituração contábil simplificada para micro e pequena empresa. Brasília: Conselho federal de Contabilidade, 2008, 148 p.