segunda-feira, 20 de junho de 2016

Pontos de Equilíbrio Contábil, Econômico e Financeiro

Continuando nossas postagens sobre Custos, hoje o Essenziale apresentará algumas fórmulas sobre o Ponto de Equilíbrio. Viu-se que o ponto de equilíbrio é o indicador de lucro zero da empresa, mas dependendo da ótica utilizada e dos objetivos do empresário, o resultado neutro encontrado no Ponto de Equilíbrio pode ser negativo ou positivo. Para exemplificar melhor tomamos mais uma vez dos trabalhos de Martins (1990: 232-234):

Se uma empresa tem as seguintes características:
Quadro 1
Custos + despesas variáveis
R$ 6.000 por unidade
Custos mais despesas fixos
R$ 4.000.000 por ano
Preço de venda
R$ 8.000 por unidade
Sabemos que seu Ponto de Equilíbrio será obtido quando a soma das margens de contribuição (R$ 2.000/unidades) totalizar o montante suficiente para cobrir todos os Custos e Despesas Fixos; esse é o ponto em que contabilmente não haveria nem lucro e nem prejuízo (supondo produção igual à venda). Logo, esse é o Ponto de Equilíbrio Contábil (PEC):



Com isso tem-se a fórmula do Ponto de Equilíbrio Contábil:

Equação 1: Fórmula para o Ponto de Equilíbrio Contábil



Como se nota na fórmula, o Ponto de Equilíbrio Contábil é igual ao Ponto de Equilíbrio e deve a isso utilizar apenas a ótica do lucro, sem levar em conta as despesas que não geram desembolso de caixa e o capital investido ou o custo de oportunidade. Segue abaixo o complemento proposto por Martins (1990):

Supondo que essa empresa tenha tido um Patrimônio Líquido no início do ano de R$ 10.000.000,00 e se foram colocados para render em10% ao ano, temos um lucro mínimo desejado anual de R$ 1.000.000. Assim, se essa taxa for à de juros no mercado, concluímos que o verdadeiro lucro da atividade será obtido quando contabilmente o resultado for superior a esse retorno. Logo, haverá um ponto de equilíbrio econômico (PEE) quando houver um lucro contábil de R$ 1.000.000 (MARTINS, 1990).
E com base na explicação de Eliseu Martins tem-se a seguinte fórmula do PEE, levando em consideração o lucro desejado como remuneração do investimento incluso no equilíbrio entre os ganhos e as perdas:
Equação 4‑2: A fórmula do Ponto de Equilíbrio Econômico

Logo, o Ponto de Equilíbrio Econômico (PEE) será obtido no momento em que a somatória das Margens de Contribuição totalizar o montante de R$ 5.000.000, o que fará com que após a dedução dos Custos e Despesas Fixos de R$ 4.000.000 ainda sobre o lucro contábil (desejado) de R$ 1.000.000. Assim temos:




Com esse resultado pode-se dizer que se a empresa produzir e vender de duas mil a duas mil e quinhentas unidades por ano obterá lucro zero, do ponto de vista do PEC, mas mesmo assim, estará perdendo (prejuízo), ema vez que não conseguiu recuperar juro do capital próprio investido.

E, novamente voltando às explicações de Martins (1990: 233) temos:
Por outro lado, o Resultado Contábil e Econômico não é coincidente, necessariamente, com o Resultado Financeiro. Por exemplo, se dentro dos Custos e Despesas Fixos de R$ 4.000.000 existir uma Depreciação de R$ 800.000, sabemos que essa importância não irá representar desembolso de caixa.
Desta forma, os desembolsos fixos serão de R$ 3.200.000/ano; portanto, o Ponto de Equilíbrio Financeiro (PEF) será obtido quando conseguirmos obter uma Margem de Contribuição Total nessa importância (MARTINS, 1990):
E assim, temos o seguinte resultado:
Equação 3: Fórmula do Ponto de Equilíbrio Financeiro

Como resultado, se a empresa estiver vendendo e obtendo um faturamento total de R$ 12.800.000 (1.600 unidades por ano vezes o preço de venda de R$ 8.000 por unidade), equilibrando-se financeiramente, mas ainda com prejuízo contábil de R$ 800.000, uma vez que estará excluindo uma parcela de seu ativo com a depreciação. Além disso, também estará perdendo R$ 1.000 de retorno dos investimentos, com prejuízo total de R$ 1.800,00.

E caso o volume de vendas fosse de 2.200 unidades ter-se-ia o seguinte:
Quadro 2
PE
Quantidade
2.200 unidades
MC unitária
Resultado
PEC
2.000,00
200,00
R$ 2.000
R$ 400.000
De lucro
PEE
2.500,00
(300,00)
R$ 2.000
R$ (600.000)
De prejuízo
PEF
1.600,00
600,00
R$ 2.000
R$ 1.200.000
De lucro
Segundo o quadro é possível fazer as seguintes inferências:
  • Da ótica do Ponto de Equilíbrio Contábil ao vender 2.000 unidades do produto à empresa consegue igualar os custos às receitas (lucro zero); sendo que com a venda de apenas 200 unidades a mais obteria o lucro de R$ 400.000.
  • Mas do método do Ponto de Equilíbrio Econômico, a empresa precisaria de 2.500 unidades para não ter nem lucro e nem prejuízo, além de que uma redução em 300 unidades causaria a esta resultado negativo de R$ 600.000.
  • E por outro lado, pelo Ponto de Equilíbrio Financeiro a empresa com a menor quantidade produzida e vendida (1.600) já teria resultado neutro, sendo que, um aumento de 600 unidades causaria o superávit de R$ 1.200.000.
Como resume Martins (1990: 233) haveria em ‘Caixa’ uma sobra de R$ 1.200.000/ano, que significariam, contabilmente, lucro de R$ 400.000, já que R$ 800.000 seria a recomposição no Ativo da parte perdida no Imobilizado, mas essa sobra de R$ 400.000 é de R$ 600.000, inferior ao mínimo desejado de R$ 1.000.000.