quinta-feira, 28 de abril de 2016

Conceitos fundamentais em Economia


Fundamentos básicos em Economia

Seja em nosso cotidiano, seja através dos jornais, rádio e televisão, deparamo-nos com inúmeras questões econômicas, como por exemplo:
Aumento de preços; Períodos de crise econômica ou de crescimento; Desemprego; setores que crescem mais do que outros; Diferenças salariais, dissídios coletivos; Crises no balanço de pagamentos; Valorização ou desvalorização da taxa de câmbio; Ociosidades em alguns setores de atividade; Diferença de renda entre as várias regiões do país; Taxas de juros; Déficit governamental; Elevação de impostos e taxas públicas [VASCONCELLOS & GARCIA, 2002]1.
O objetivo básico da Economia é analisar os problemas econômicos da sociedade e a partir disso formular soluções para resolvê-las.
A palavra economia deriva do grego oikonomos (de oikos, casa, e nomos, lei), que significa a administração de uma casa, ou do Estado, e pode ser assim definida:
Economia é a ciência social que estuda como o individuo e as sociedades decidem (escolhem) empregar recursos produtivos escassos na produção de bens e serviços, de modo a distribuí-los entre as várias pessoas e grupos de sociedades, a fim de satisfazer as necessidades humanas [VASCONCELLOS & GARCIA, 2002].
Essa definição contém vários conceitos importantes, que são a base e o objeto do estudo da Ciência Econômica e que serão detalhamos mais adiante, que apenas a título de citação seriam: escolha, escassez, necessidades, recursos, produção e distribuição. Do ponto de vista moral as avaliações tanto de produtos quanto de impactos de políticas podem caminhar em duas direções, Por um lado, a motivação pode estar na moralidade positiva, legal, notadamente no que se refere à probidade dos gestores e usuários na gestão do programa e na apropriação dos seus benefícios.
Exemplo notório desse tipo de avaliação são as auditorias contábeis, quer financeiras ou de material. Neste caso a avaliação é administrativa e legal, situação que não nos interessa neste trabalho. Por outro lado, a motivação pode estar, não na moralidade administrativa, mas na moralidade política ou social. Ou seja, se os propósitos das políticas ou programas são condizentes com princípios de justiça política e social minimamente aceitos [FIGUEIREDO &CHEIBUB, 1986]2.
Encontram-se nesta vertente as políticas ou programas cujos objetivos não vão além da própria distribuição de bens e serviços, sem preocupação específica com mudanças. E óbvio que qualquer produto governamental pode ser visto como pretendendo algum impacto. A própria reprodução rotineira de alguma coisa pode ser interpretada como um propósito efetivo de evitar a deterioração de prestação dos serviços públicos, o que não deixa de ser um impacto. No entanto, para efeito de classificação conceitual, é perfeitamente plausível incluirmos nesta categoria aquelas políticas que não visam uma mudança ou uma alteração em determinada condição social.
Políticas de emprego, de absorção escolar, em suma, de atendimento ao público nos mais variados setores, que buscam atender apenas ao crescimento vegetativo de demandas decorrentes do crescimento demográfico, não visam em si nenhuma mudança entre o presente e o futuro [FIGUEIREDO &CHEIBUB, 1986].


      Recursos escassos versus necessidades humanas ilimitadas

Todo produto que tem preço é escasso. Um exemplo é o barril do petróleo, que varia facilmente de cinco a cinquenta dólares pois, a sua matéria-prima mundial é escassa, necessário em quase tudo. Da mesma forma é o arroz, recurso natural consumido todos os dias e com preço altamente variável.
Todo o produto que é considerado escasso tem um custo de produção, que envolve todos os investimentos necessários, máquinas, serviços, mão de obra. Para todos os produtos escassos, que demandam custos de produção, existem os conjuntos de necessidades.
Para os estudantes universitários, por exemplo, esse conjunto de necessidades é composto por livros, cadernos, canetas, tinta para impressoras entre outras. E essas necessidades são também ilimitadas, uma vez que acabam acompanhando o indivíduo ao longo de toda a sua vida. Enquanto o indivíduo estudar dependerá destes materiais para se manter, e por fim, quando terminar surgirão outras necessidades. Disso temos o entendimento que são necessidades humanas ilimitadas (NHI).
Figura 1: Escassez de um produto e sua demanda aumentam seu custo e preço.
Essas necessidades são derivadas de diferentes fontes, quer seja a natureza, o trabalho com o investidor, o capital inicial, diferentes técnicas (tecnologias) e principalmente, a capacidade de saber administrar todo o conjunto, qualificado como capacidade empresarial. Esses elementos dão origem aos chamados fatores de produção.
Esses recursos são ilimitados, uma vez que são sempre necessários e são também escassos, formando os chamados recursos escassos (RE).
Os recursos escassos são os recursos utilizados para o atendimento às necessidades humanas. São exemplos os rios, que fornecem água e que geram energia para hidrelétricas; o solo, onde se cultiva o alimento da sociedade; o petróleo, item básico como matéria-prima para inúmeros produtos e fonte de energia; todos meios básicos para a criação dos chamados bens de produção, como pro exemplo, as máquinas. É muito bem conhecido e comprovado que:
Em qualquer sociedade, os recursos ou fatores de produção são escassos; contudo, as necessidades humanas são ilimitadas, e sempre se renovam. Isso obriga a sociedade a escolher entre alternativas de produção e de distribuição dos resultados da atividade produtiva aos vários grupos da sociedade [VASCONCELLOS & GARCIA, 2002].
Os recursos escassos por sua vez, suprem as necessidades humanas ilimitadas. O ser humano sempre vai necessitar de vestuário, se for estudante vai carecer de livros, canetas, transporte, etc., todos componentes de imperativos ao longo de toda vida do individuo.
Estes recursos dependem de critérios como eficiência – como por exemplo, um ato de eficiência é usar o vento que entra pela janela para não gastar energia elétrica com o ventilador – e a otimização, isto é, melhorar a técnica para fazer bem-feito de uma vez e de primeira, evitando assim os desperdícios e tempo.
Resumidamente, temos que o homem tem necessidades que precisam ser sanadas ao longo de toda a sua vida, logo, são ilimitadas, mas os recurso para a obtenção dos bens ou serviços são limitados (não vão durar a vida toda) e ainda têm custos financeiros e de material que serão empregados. Disso podemos entender que é preciso utilizar os recurso de forma racional para que as necessidades sejam atendidas e que os insumos não se esgotem. É nesse ponto que entra em cena a Ciência Econômica, para estudar os melhores meios de uso, consumo ou gasto dos recursos de forma eficiente e otimizada.
Então pode-se concluir que muita gente tem uma ideia errada do que seja de fato a Economia: não trata-se de como não gastar dinheiro, mas sim, de como consumir com eficiência e otimização. Um ótimo exemplo no âmbito pessoal é como o indivíduo trada o próprio salário: se o faz administrando-o de forma que dure mais, gastando em itens realmente necessários ou se esbanja sem pensar direito.
No âmbito coletivo temos a Política Econômica, responsável por fazer as escolhas de como definir as prioridades entre os Recursos Escassos contra as Necessidades Humanas Ilimitadas. Um exemplo de uma política econômica é a transposição das águas do Rio São Francisco, que tem por objetivo levar a água do rio para as áreas mais secas do nordeste, criando assim meios para manter a economia desses locais baseadas nas atividades agrícolas. No entanto, a mudança no rio interfere no meio ambiente, diminui a vazão das águas em outros pontos e demanda obras de engenharia milionárias e demoradas.


Conceitos econômicos fundamentais

O primeiro conceito econômico advém da ideia de que existe uma administração econômica para manter o equilíbrio enter as necessidades humanas da comunidade em geral e as opções disponíveis e limitadas de recursos para o atendimento de tais necessidades. É o sistema.
O Sistema é a forma de organização para a obtenção dos recursos escassos para o atendimento das necessidades humanas ilimitadas da população, dado o limite determinado pelo custo. Concluindo o conceito, tem-se o Sistema Capitalista como aquele que organiza a obtenção dos recursos escassos para o atendimento das necessidades humanas ilimitadas, mas centrado no investimento, elemento gerador de mercadorias elaboradas pelas fábricas para a exportação, importação, venda interna ou por serviços.
Os investimentos por sua vez necessitam dos bens de capital, representados pelas máquinas (desdes forno á montadoras de automóveis) e de mão de obra – que são a força de trabalho. Tanto no Brasil quanto no mundo, todo o processo de investimento tem um objetivo: o lucro, resultado extraído de quanto as entradas (receitas) são maiores do que as saídas (custos e despesas).
O sistema capitalista, isto é, sistema econômico que é movido pelo capital, que por sua vez administra os bens de capital e mão de obra para a produção dos elementos para o atendimento das necessidades humanas ilimitadas – só funciona bem quando as matérias-primas, as máquinas, os investimentos e o lucro funcionam dentro de um sistema jurídico regido por regras eficientes, determinado meios para a mensuração das obrigações e valores a serem pagos ou recebidos. Quando o sistema não funciona perfeitamente ocorre a conhecida alta dos preços no mercado.
Em Economia, mercado é o lugar (no sentido de físico, com endereço) onde os agentes econômicos se encontram para realizar negociações, seja pessoal ou virtualmente. Numa economia de mercado há produtos a serem consumidos e liberdade para a realização de meios diversos de vendas, mas todos regidos pelo capital.
Diferentemente do capitalismo, em linha oposta, de certa maneira, encontra-se o socialismo real, que atende às Necessidades Humanas Ilimitadas num ambiente com Recursos Escassos, com máquinas (bens de capital) mas em que o motor não é o capital. Nesse sistema toda a economia é planificada e controlada pelo Estado (em vez do mercado, no capitalismo).
Hoje ainda existe o socialismo real em Cuba, na China e na Coreia do Norte. Nesses países não há salário-mínimo, uma vez que não há mercado. Lá usam-se os bônus, em que ão dados pelos governos os mantimentos necessários à população em quantidades proporcionais ao número de pessoas residentes em cada casa.

1VASCONCELLOS, Marco Antonio S., e Manuel E. GARCIA. Fundamentos de Economia. Edição: Departamento de Economia da FEA-USP. São Paulo: Saraiva, 2002

2FIGUEIREDO, Marcus; CHEIBUB, Angélica Maria. Avaliação política e avaliação de políticas: um quadro de referência teórica. In: Análise da Conjultura, set./dez 1986, v. 3, n. 1, pp. 107-127.