quinta-feira, 28 de abril de 2016

Eixos de transformação, processos e geração de valor


        Os eixos de transformação

Como vimos durante a apresentação das diferenças das informações geradas pela contabilidade tradicional para a gerencial e controladoria, bem como quando tratamos de assuntos relacionados às boas práticas de gestão e transparência governança corporativa, para as empresas continuarem no mercado devem evoluir seus processos. Na visão da contabilidade gerencial a informação deve promover a tomada de decisões para a empresa e enquanto isso, o modelo contábil-financeiro ainda que persista naturalmente o foco gerencial continuará a se expandir, utilizando-se de novas técnicas e demandando um novo perfil profissional dos contadores.
Essa mudança pragmática da contabilidade gerencial para tornar-se mais útil as empresas neste mundo globalizado gerou movimentos ou também chamados, eixos de transformação, que nada mais são do que novas visões sobre os processos e modelos administrativos e gerenciais das empresas. Segundo explica Martin (2002) são estes os cinco eixos de transformação:
O primeiro eixo de transformação, o do valor, diz respeito à busca de um novo entendimento das organizações empresariais e seus objetivos.
O segundo eixo, o estratégico, busca visualizar e modelar os resultados atuais e futuros de cada empresa a partir das forças ambientais. Estes dois primeiros eixos visão dar à contabilidade gerencial a capacidade de diagnostico das condições externas que são cruciais para cada negocia.
O terceiro eixo, o dos processos, procura constituir uma representação, mas realística da forma pela qual são articulados os recursos na formação do valor e gerada os custos.
O quaro eixo, o dos insumos, se volta à avaliação da mobilização de recursos feita em cada companhia e busca determinar a sua importância relativa. Estes dois últimos eixos visam dar à contabilidade gerencial a capacidade de reconhecer os pontos chaves de sua produção interna de valor e de seu vital ajustamento às condições ambientais externas.
O último eixo, o de mensuração e comunicação, diz respeito à constituição propriamente dita do quadro geral do desempenho empresarial. Esse deve incorporar e integrar os levantamentos e medidas de diferentes naturezas, financeiras e não-financeiras, que são obtidas com a operação dos outros eixos, e apresentar os resultados através de análises, propostas e relatórios que sejam consistentes com as condições ambientais, o quadro interno de processos e recursos e a natureza das decisões a serem tomadas (MARTIN, 2002).
A figura a seguir apresenta de forma esquematizada os eixos de transformação da contabilidade gerencial, proposta por Martin (2002):
A controladoria começa a transformação dos processos pro meio dos eixos seguindo as novas tendências que a empresa terá que se adaptar para continuar atuante no mercado. Para tanto o primeiro eixo de transformação diz respeito à geração de valor. De que adiantaria uma empresa produzir e ser incapaz de gerar valor – e o valor que aqui mencionamos não é somente o lucro. Antes e durante o ato de produzir, qualquer organização deve exercer constante acompanhamento sobre o valor que é gerado tanto para os clientes quanto para os investidores, como explica Martin (2002):
Valor para os clientes/usuários, que consiste no conjunto de benefícios, atributos e características de desempenho, que a empresa oferece através dos seus bens e/ou serviços, pelos quais os compradores, após a devida avaliação, estão dispostos a pagar o preço de mercado. E ao mesmo tempo: valor para os investidores/acionistas, que aplicaram na empresa, compensando-os pelos riscos inerentes ao empreendimento (MARTIN, 2002).
Assim temos as duas fórmulas de geração de valor, segundo Nilton Cano Martin (2002), para os clientes e para os investidores na empresa:
Equação 1: Fórmula da geração de valor para o cliente
Na primeira fórmula, a Qualidade representa o total de atributos e benefícios que os clientes esperam encontrar nos produtos e serviços oferecidos pelas empresas. Como define Martin (2002) “a empresa será competitiva se, aos olhos dos seus clientes, seus produtos tiverem um valor maior do que o de seus concorrentes, o que poderá ser o resultado, tanto de preços menores, quanto de diferentes ou mais relevantes benefícios e atributos de qualidade que possam justificar preços maiores”. O valor para os investidores, por sua vez, é o resultado da expressão financeira a seguir:
Equação 2: Fórmula de geração de valor para os investidores
E mais uma vez recorrendo às explicações de Martin (2002) trabalhamos e comentamos a alguns pontos importantes da expressão acima:
Uma empresa é competitiva para seus investidores, isto é, seus proprietários e demais acionistas, se, ao menor risco possível, for capaz de cumprir duas condições de remuneração do capital que investiram. Primeira: éter capacidade de prover, curto prazo, um retorno superior a media das outras empresas do mesmo ramo de negócios. Segunda: fazer com que tal retorno, a médio e longo prazo, seja pelo menos igual à taxa de rentabilidade mínima esperada pelos investidores, que é o custo do capital próprio. Em outras palavras, uma empresa deve assegurar um fluxo estável, sustentável e adequado de retorno aos seus investidores, realizando um equilíbrio financeiro entre os objetivos de curto e de longo prazo (MARTIN, 2002).
Dessa forma temos que a empresa deve, com primeiro eixo de transformação (e principal, uma vez que dá entrada aos demais), trabalhar para que seus produtos/serviços gerem valor aos clientes e que seus processos tragam o retorno mínimo esperado pelos investidores superior a média no curto prazo e igual à taxa de rentabilidade esperada no médio e longo prazo. Vejamos a figura a seguir, extraída de Martin (2002):
Não há como negar que com a globalização e evolução tecnológica dos processos, as organizações apenas conseguirão se mantiverem atuantes no mercado se mobilizarem seus recursos em prol da geração de valor, submetendo-se ao imperativo da competitividade.
Ou seja, “será tão mais bem-sucedida quanto maior for o valor que produzir para os clientes e para os investidores e, mais importantes, quanto maior for o diferencial de valor que obtiver em relação à concorrência, pois somente assim poderá assegurar a preferência dos atuais e potenciais clientes e investidores” (MARTIN, 2002). Não entraremos nos eixos restantes, no entanto fica aqui uma sugestão de pesquisa, uma vez que qualquer empresário ou administrador financeiro, contador podem, com estas informações, trazer inúmeros benefícios para a empresa, seja de qual ramo for.




Bibliografia
MARTIN, 2002: MARTIN, Nilton Cano, Da contabilidade à controladoria: a evolução necessária, jan./abr 2002