sexta-feira, 15 de abril de 2016

Inflação e índices de preços


O dinheiro de hoje não terá o mesmo valor daqui a um ano. O que matematicamente seria impossível ocorre na Gestão Financeira. Se por exemplo guardássemos 100 mil reais numa caixa em casa com o objetivo de pegar resgate em vinte ou trinta anos terá uma desagradável surpresa ao ver que o valioso dinheiro não seria mais tão valioso.
Partindo do pressuposto que o dinheiro é corroído pelo tempo podemos entender melhor a existência dos juros da Matemática Financeira. Nessa sessão buscaremos demonstrar as causas da inflação e por fim, relacionaremos com os conceitos básicos em finanças.


    A inflação corroendo o dinheiro

No tempo em que ainda não existia o dinheiro o homem mantinha suas relações comerciais com formas alternativas. De safras de grãos, cereais e animais poderia adquirir o que precisasse mesmo sem poder ter troco (trocar uma cesta de alimentos por meia vaca não seria possível).
Como conservante nas longas viagens no deserto veio o sal, pai do salário.
Com o mercantilismo do ouro e prata gerou-se o valor pelo metal e em decorrência, a falta de segurança. Como solução a riqueza era guardada em castelos e poderiam ser resgatadas por meio de recibo. Era uma forma de garantia para o dono, uma vez que apenas este poderia resgatar sua riqueza, mas, eram ruins de transportar. O certificado de papel evoluiu e virou o papel moeda. O país deveria ter um total em moeda equivalente ao total que tivesse de metais.
Atualmente o dinheiro é tão corrente que se tornou virtual. Compras e vendas são negocia­das sem que o dinheiro seja físico. Com o dinheiro adquirimos produtos e serviços, mensurados pelo preço.
Conforme o produto ou serviço fica mais difícil de ser obtido torna-se mais procurado e con­sequentemente o seu preço aumenta. Na sociedade coletora as bananas eram colhidas sem grande dificuldade e em decorrência disso eram quase de graça. Do caminho da fazenda para o sítio o terre­no de produção diminuiu, juntamente com as quantidades de bananas, embora o preço tenha au­mentado. Da bananeira para as dúzias e finalmente para as unidades vemos claramente que a de­manda pelo produto permaneceu, ao passo que a terra gradativamente diminui.
O conceito de Renda da Terra de David Ricardo cabe perfeitamente nesse caso. Segundo Ri­cardo se a população cresce o consumo aumenta e em decorrência disso a produção vai romper bar­reiras e procurar novos terrenos até o momento que a última a área a ser utilizada é a que produz menos, mas, tem preço mais elevado.
O mesmo ocorre com a sala de aula: sala em que cabem 100 alunos pode funcionar com 70 vagas preenchidas, mas se ultrapassar em 20 alunos forma-se uma nova turma, que para compensar os custos relativamente pagará mais caro pela sala. É a Lei da Oferta e da Procura. A escassez do produto faz com que o seu preço aumente e o processo deste aumento persistente e generalizado para diversos outros se chama inflação.
Quando a quantidade de moeda e a velocidade das compras no mercado são diferentes de todos os preços e transação ocorre à inflação. A expressão M x V semelhante a P x T explica essa teo­ria. Desta forma, se a moeda cai (M > produtos = M cai).
Quanto mais o consumo avança maior a inflação. Por esta razão o governo aumenta a taxa básica de juros da economia – Selic – freando o consumo por meio do investimento. Com a Selic alta investe-se mais em papéis do governo, diminuindo o consumo e a inflação. É por causa da inflação que o poder de compra fica menor. O que seria possível comprar no presente pode não ser no futu­ro.
Quem aplica o seu capital em um fundo de investimento de longo prazo usa a matemática fi­nanceira para escapar do efeito corrosivo da inflação. Seu capital vai render juros que compensarão à per dado poder aquisitivo da moeda com o passar do tempo.


      Índices de preços

Nos bancos dos cursos de graduação das universidades dificilmente entram na grade curri­cular os índices de preços. Estes medidores da inflação são constantemente vistos nos jornais de qualquer meio de comunicação, contudo podem causar mais dúvidas do que soluções. Ouvimos que tal produto é corrigido pelo IGPM e que o IPCA aumentou, mas em nada nos ajudam estes dados sem que saibamos do que tratam.
Então para desamarrar alguns nós vamos conhecer algumas destas siglas e ver como são apenas índices, nada de mais complexo.
O primeiro a citar é o IPC – FIPE (Índice de Preços ao Consumidor). Este indicador foi criado pelo FIPE/USP para abordar o varejo – produtos e serviços – apenas no município de São Paulo, para famílias que ganham entre 1 e 20 salários-mínimos.
Todo o índice de preços apresenta as mesmas características: delimitação do conjunto de produtos ou serviços a serem estudados, o lugar geográfico e o público alvo. No IPC da FIPE/USP no­tamos claramente estes efeitos e mais adiante poderemos ver o quanto este índice é restrito.
Qualquer um pode criar seus próprios índices, basta estabelecer os ele etos do estudo e co­nhecer cálculos estatísticos. Uma dona do lar pode, por exemplo, criar um índice de carne bovina de primeira qualidade pesquisando o preço do alimento em vários estabelecimentos por dois meses. Supondo que a média dos preços em setembro de 2007 fosse de R$ 10,25 e que teve um aumento de para R$ 10,55 no mês seguinte formaria o índice de aumento de 2,93%.
Deixando o IPC FIPE vejamos agora o conhecido IGP-M (Índice geral de preços do mercado). Calculado pela Fundação Getúlio Vargas tem um período de quase um mês e para ser terminado, este índice precisa de outros três indicadores: IPA (Índice de Preços no Atacado), IPC (Índice de Pre­ços ao Consumidor) e INCC (Índice Nacional dos Custos da Construção), representando, respectiva­mente, 60%, 30% e 10%.
O IPC é calculado pela Fundação Getúlio Vargas e aborda as famílias que ganham de 1 a 33 salários-mínimos de São Paulo e Rio de Janeiro. O IPA também é calculado pela FGV e aborda os pro­dutos do mercado atacadista, sendo um índice primário (pesquisado “in loco” e terem como objeto de estudo os produtos para a indústria).
Todo o produto que não pode ser beneficiado após um estágio e que tem o seu preço em dólar usado nesse índice. Temos como exemplo o petróleo, que é vendido cotado em dólar e por barril e com um padrão limite de qualidade. O aço é outro produto com estas características: é com­prado no atacado e não dá para agregar mais valor e por esta razão somente pode ser vendido pelo preço internacional.
Desta forma é um índice de fora e estuda os produtos derivados que por causa da origem so­frem alterações no preço em moeda estrangeira.
O INCC, da FGV, mede os preços do pedreiro, do encanador, do eletricista e de toda a mão-de-obra do varejo. O índice de preços com maior abrangência é o IPCA – Índice de Preços ao Consu­midor Ampliado. É calculado pelo IBGE e abrange as regiões metropolitanas de Porto Alegre, Belo Horizonte, Curitiba, São Paulo, Goiânia, Brasília, Salvador, Recife, Fortaleza e Belém.
Pela área geográfica equivale ao INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), porém mede a variação dos produtos e serviços para as famílias que ganham de 1 a 40 salários mínimos, ao passo que o INPC apenas de 1 a 8 famílias. Mas mesmo sendo mais abrangente é só observar um mapa político do Brasil para vermos que deixa de lado a maior parte da região central e norte e os Estados do Maranhão e Piauí.

Outro fato é que estuda apenas as famílias das regiões metropolitanas, o que deixa no final um resultado duvidoso.