quarta-feira, 20 de abril de 2016

Comentário de livro: O indivíduo na organização


       O ser humano no meio empresarial

O texto a seguir é comentário acadêmico feito acerca do livro "O Indivíduo na Organização" - Volume.1, Atlas, podendo ser encontrado no Link: http://www.saraiva.com.br/o-individuo-na-organizacao-dimensoes-esquecidas-vol1-351092.html

O ser humano é um ser que vive e existe em sociedade. Inicialmente é inserido no meio da própria unidade familiar, onde absorve características genéticas e de personalidade. Não é muito difícil ligar um indivíduo a seus pais, dizendo, por exemplo, aquelas falas conhecidas do tipo “ele tem os olhos da mãe e o jeito do pai”. Nesse primeiro convívio com o mundo o indivíduo define quem ele é e onde está, além de ter o contato inicial com as regras, normas, obrigações, deveres e responsabilidades; ou pelo menos o que se espera que aconteça.
Ao longo da convivência começa a traçar os primeiros vestígios de sua identidade singular constante no mundo coletivo. Por fim é mais tarde, carimbado pela sociedade sob uma função (emprego, cargo, encargo ou outros), na qual obterá o seu sustento e demonstrará a sua utilidade para o meio humano com produtos ou serviços que ofertará. A sua personalidade está formada, suas crenças já foram encarnadas e seu modo de viver já está definido.
Mas um dia surge a oportunidade (ou a cruel obrigação) de deixar de o quintal de casa e tornar-se um braço da organização num terreno distante, com costumes, regras e conceitos diferentes. Quais fatores esperam o estrangeiro nessa aventura? Como agir num lugar estranho? Onde apoiar-se? Que consequências trazem? No artigo de opinião “Alteridade: ser executivo no exterior”, de Allain Joly e tradução de Luciano dos Santos Gaiano, analisadas as diferentes implicações sob a ótica social, cultural, profissional e pessoal dos agentes envolvidos, em especial, a dos expatriados.
Defende-se na a tese de que os hábitos e costumes e culturas apresentam uma dinâmica historicamente comprovada, tanto para o país hospedeiro quanto para o elemento exógeno, para relações que indicam fenômenos interculturais como também de intercâmbios internacionais estabelecidos por nações desenvolvidas e subdesenvolvidas, em desenvolvimento ou dependentes.


Tem-se como alicerce os trabalhos das áreas de psicanálise, sociologia e antropologia apresenta-se ao leitor em diferentes facetas sobre os assuntos sobre que não apenas citam toda a problemática, mas, além disso, as abrange de tal forma a dar todo o ordenamento nas idéias que envolvem sentimentos – muitas vezes confusos – do indivíduo no país estrangeiro e mais importante, o que envolve o retorno para a casa (a terapia).
Inicialmente, buscando na literatura,  o autor dos quadros socioculturais da atividade humana, utilizando principalmente o apoio das ideias de Ralph Linton e Lionel Vallée, o autor esquematiza as quatro ordens de fenômenos, quais sejam: a natureza, a cultura, a sociedade e a personalidade. Sem dispor de grande parte do texto os assuntos são definidos e interligados.
Com relação à natureza, levam-se em conta suas partes básicas (homem e a relação com a natureza), em que o meio onde o indivíduo está exerce influência em suas atitudes; fato este demonstrado pelo autor ou trazer os costumes dirigentes da mentalidade de membros de tribos indígenas, acentuando, sobretudo, a imagem do sujeito no grupo como mais um elemento do conjunto ou como único indivíduo que procura adaptar seu lado interno e seus problemas com os outros (provocando desordem de personalidade).
A cultura indicada, por Joly, enquadra os diferentes pontos de vista. Isso significa dizer que tudo o que o homem produz é determinado pela cultura.
Esta define quanto produzir, como e o quê. É o exemplo a cultura onde o consumismo é ínfimo, o que resulta em pouca produção e mais tempo para o lazer; ao paradoxo das sociedades industriais em que existe a mentalidade de dominar a natureza para produzir sempre mais (substituição do lazer pela obrigação do trabalho) para atender as necessidades humanas ilimitadas. E para quê o autor apresenta esta comparação? Em primeiro lugar para fazer refletir sobre a problemática da produção condicionada à cultura e ao modo de vida.
O homem e a sociedade em modo geral têm necessidades e estas são satisfeitas com a produção. A cultura age dentro dos costumes que lhe parecem mais corretos. Não obstante, a composição induzida no texto reforça a ideia de que o ser humano vê claramente as diretrizes da cultura (traços culturais e costumes) quando estes são diferentes dos seus. Percebem-se as diferenças e poderá aceitá-las, mesmo não as compreendendo ou repudiá-las com todas as suas forças.
Ao longo do texto são apresentadas anedotas representando experiências vividas, sem raridade, por estrangeiros; e vale salientar, por pessoas de países europeus ou norte-americanos em países latino-americanos, africanos ou asiáticos, o que demonstra literalmente o choque cultural e social vivido e que com altíssima probabilidade, origina sequelas nos envolvidos. Seguindo e esquema, à sociedade (em conjunto com a cultura) atribui-se a função de formato sistema social em que o indivíduo existe.
Este por sua vez em seu país acaba passando pela experiência de “desestruturação reestruturação” de sua identidade, onde deve aderir-se aos papeias e estatutos que envolvem a sua função dentro do novo contexto, este que, envolve toda a estrutura e estágios da economia do país hóspede (tais como economia e política). Estes elementos são elencados como: a vida material, o estágio que não quer ou não consegue alcançar a economia de mercado e o capitalismo.
Estes estágios, presentes em qualquer economia dão a forma aos estatutos e normas dirigidas aos indivíduos.
Estes são, e vale retomar, “dirigidos”, pois, cada indivíduo tem o livre arbítrio; e como interlocutor na entrada do estrangeiro na sociedade e na cultura há o guia, indicando as imagens ou denunciando os fatos de maneira mais aberta, que por sinal, é o mais comum. Outro ponto observado pelo autor é a existência de círculos concêntricos, pelos quais, pode-se medir o distanciamento entre o indivíduo e o conjunto cultural.
É formado pelo centro com suas características comuns a todos; ao redor os especialistas, contendo características individuais (classe, sexo, idade etc.) e na região periférica a ocorrência de desvios do sistema. Em cada espaço há os “hóspedes e inimigos”, que tratam o estrangeiro bem, incentivando o seu trabalho e aproveitando a sua presença ou, surgindo o conhecido sentimento de recusa àquele que vem de fora roubar o espaço e as oportunidades do “nativo”
Após esta primeira etapa, o texto prende-se exclusivamente às fases da experiência existencial do estrangeiro. Acompanhando o raciocínio do autor é fácil ver a ideia principal: o indivíduo não depende exclusivamente do ambiente para se construir, mas uma mudança drástica de hábitos, conceitos e aprendizados emanados pelo novo meio cultural reforma a identidade da pessoa.
Ao isolar-se numa cultura estranha, sem sombra de dúvida, a sua perspectiva sobre o mundo se altera. Uma dessas experiências pode levar o indivíduo executivo a rever a sua própria maneira de viver e interagir.
Neste caso é possível, durante o retorno ou ainda no exterior, dar mais valor às oportunidades de seu país, ver melhor os pontos fortes e fracos, dar mais valor a sua liberdade de pensamento, maior cuidado com os menos favorecidos pela economia entre outras visões positivas e construtivas; embora também, pode vir a sentir o nervosismo de ter que voltar para uma rotina que não mais lhe atrai.
De maneira detalhada e com anedotas adaptáveis às diferentes situações o texto apresenta a sequência das quatro fases da experiência vivida por um executivo no exterior: O encantamento com as maravilhas de outros povos, com tudo aquilo que é novo, e que aparentemente resultará numa mobilidade social, atingindo as sensações prazerosamente.
O negativismo extremo, mais intenso quando o executivo já tinha uma ideia distorcida do país e a “comprova”, quando não atinge os objetivos da empresa, não se adapta aos costumes, pessoas e problemas a que é submetido. Isso para ele representa a queda de seu padrão para a organização, que por sua vez deveria ter escolhido e preparado melhor o indivíduo para tais situações.
Na terceira fase decide por aceitar ou não o novo modo de trabalho e cultura, passo esse que acarreta em manter o negativismo ou abrir a mente. E após isso, o que fazer? E principalmente, voltar como?

O fato é claro: com a globalização tornar-se-á cada vez mais inevitável o distanciamento extremo das diferentes culturas e isto, por sua vez, criará mudanças, sobretudo para as organizações, que terão que se adaptar e para o homem, que terá que quebrar certos preconceitos.