sexta-feira, 29 de julho de 2016

Origem da Teoria Econômica


Quando nos propomos a estudar o pensamento econômico estamos na verdade estudando o pensamento e as teorias dos autores que nortearam e norteiam a ciência econômica, sendo que cada um escreveu num período de tempo histórico, sobre onde estava e para responder a alguma pergunta ou problema de sua época.
Conforme Vasconcellos e Garcia (2002):
Na Grécia Antiga, as primeiras referências conhecidas de Economia apareceram no trabalho de Aristóteles (de 384 a 322 a.C.), que aparentemente foi quem cunhou o termo Economia (oikosnomos) em seus estudos sobre aspectos de administração privada e sobre finanças públicas. Encontramos algumas considerações de ordem econômica nos escritos de Platão (de 427 a 347 a.C.), e de Xenofonte (de 440 a 335 a.C.). Roma não deixou nenhum escrito notável na área de economia. Nos séculos seguintes, até a época dos descobrimentos, encontramos poucos trabalhos d destaque, mas que não apresentam um padrão homogêneo e estão permeados de questões de justiça e de moral [VASCONCELLOS & GARCIA, 2002].
Entre os principais períodos estudados pela Economia estão o feudalismo, mercantilismo e Revolução Industrial de 1750. O primeiro destes, o sistema feudal começou na idade média, até mil anos atrás. O segundo, o mercantilismo, teve a doutrina das grandes descobertas.
Como forma de ração ao mercantilismo surgiu a fisiocracia, sugerindo que era desnecessária a regulamentação governamental, pois a lei da natureza era suprema e tudo o que fosse contra ela seria derrotado. Conforme nos explicam Vasconcellos e Garcia (2002):
No século XVIII, uma escola de pensamento francesa, a fisiocracia, elaborou alguns trabalhos importantes. Os fisiocratas sustentavam que a terra era a única fonte de riqueza e que havia uma ordem natural que fazia com que o universo fosse regido por leis naturais, absolutas, imutáveis e universais, desejadas pela Providência Divina para a felicidade dos homens. O trabalho de maior destaque foi o do doutor François Quesnay, autor da obra Tableau Economique, o primeiro a dividir a economia em setores, mostrando a inter-relação destes. Apesar de os trabalhos dos fisiocratas estarem permeados de considerações éticas, foi grande a sua contribuição à análise econômica. O trabalho de Quesnay foi aperfeiçoado e transformou-se no sistema de circulação monetária criado no século XX, por volta dos anos 40, pelo economista russo Wassily Leontief, da Universidade de Harvard [VASCONCELLOS & GARCIA, 2002].
A Revolução Industrial da Inglaterra, em 1750, marcou a Economia, a cultura, as relações sociais, o modo de pensar, as relações do homem com a natureza e a entrada da indústria no sistema. Esse movimento criou o sistema capitalista ao juntar o capital (busca do capitalista) à ciência (tecnologia), e ao crescimento e desenvolvimento.
Durante a Revolução Industrial surgiram duas classes na sociedade: a burguesia e a proletária. Os burgueses a implantaram pois tinham dinheiro. Propõem o Liberalismo, isto é, a não-intervenção do estado na economia, mas sem leis novas e que tiveram que ser criadas (como o direito do consumidor e sindicatos). Surgia o poder judiciário.


Os autores clássicos

Adam Smith (1723-1790): divisão do trabalho, sem o Estado e a mão invisível.
A partir de Adam Smith a Economia passou a ser vista como ciência. Seu enfoque era produzir a teoria para explicar a Revolução Industrial, estudando a divisão do trabalho. Em seu livro “Uma investigação sobre a natureza e as causas das riquezas das nações”, de 1776, Adam Smith disse que a riqueza tem como natureza o trabalho especializado, gerador da expansão do mercado (pois pessoas para trabalhar pagas com salários tem recursos para consumir, fomentando as vendas e toda uma cadeia produtiva, promovendo mais empregos e aquecendo a economia).
Conforme nos citam Vasconcellos e Garcia (2002):
Considerado o precursor da moderna Teoria Econômica, colocada como um conjunto científico sistematizado, com um corpo teórico próprio, Smith já era um renomado professor quando publicou a sua obra A riqueza das nações, em 1776. O livro é um tratado muito abrangente sobre questões econômicas que vão desde as leis do mercado e aspectos monetários até a distribuição do rendimento da terra, concluindo com um conjunto de recomendações políticas. Em sua visão harmônica do mundo real, Smith acreditava que se deixasse atuar a livre concorrência, uma “mão invisível” levaria a sociedade à perfeição. Adam Smith colocou que todos os agentes, em sua busca de lucrar o máximo, acabam promovendo o bem-estar de toda a comunidade. É como se uma mão invisível orientasse todas as decisões da economia, sem necessidade da atuação do Estado. A defesa do mercado como regulador das decisões econômicas de uma nação traria muitos benefícios para a coletividade, independentemente da ação do Estado. É o princípio do Liberalismo Econômico.
Quando aumenta o número de fábricas, há um aumento nas áreas de serviços. Há a primeira expansão, que é para o mercado interno, para somente depois ser para fora do país.
Para Adam Smith todo o sistema é comandado por uma espécie de mão invisível, que liga a oferta à demanda. Dava preferência ao liberalismo sem limites, ou seja, sem a intervenção do Estado como regulador da Economia. Assim, os preços e a inflação seriam normatizados e/ou resolvidos por si próprios, sem que o governo precisasse mexer com a economia ou criar loeis reguladoras.
Segundo esta teoria, se numa economia só existe um produtor de qualquer coisa, o produto por ele feito será muito caro. Mas caso haja muitos fornecedores desta mesma coisa, a concorrência tende a fazer com que o preço final chegue ao consumidor bem menor. Ou seja, conforme dizia Smith, só a concorrência reduz o egoísmo, uma vez que uma maior oferta de um mesmo tipo de produto permitiria ao consumidor ter múltiplas escolhas de preços (indo para o menor), o que faria com que a concorrência derrubasse os preços, caso não quisesse ficar sem vender.
Adam Smith em seu texto fundador da economia clássica, A riqueza das nações, de 1776, tornou a especialização – a divisão do trabalho – o ponto central de sua teoria. Ele e seus contemporâneos do liberalismo econômico argumentavam, contra os mercantilistas, que a autossuficiência era uma tolice. Num famoso exemplo, Smith indicou que, trabalhando sozinho, um operário de uma fábrica de alfinetes podia no máximo produzir 20 unidades por dia. No entanto, nas fábricas da época, o processo de produção de alfinetes estava divido em cerca de oito etapas diferentes, cada uma realizada por um ou dois trabalhadores especializados. Dessa forma, uma fábrica com dez trabalhadores produzia 48 mil alfinetes por dia, fazendo com que cada indivíduo fosse cerca de 240 vezes mais produtivo do que o seria trabalhando sozinho. A especialização gerava produtividade, e a produtividade alimentava o crescimento econômico [FRIEDEN, 2006].
No entanto, com o prolongamento da grande Depressão após 1929 constatou-se que a economia não consegua se recuperar sozinha (ou seja, apenas com a mão invisível), precisando ao Estado entrar com medidas de políticas econômicas. Caia por terra a teoria de Adam Smith.


David Ricardo (1772 – 1823): a renda da terra, vantagens corporativas e sem o Estado
Recorrendo à literatura para apresentar o referido autor:
O banqueiro Londrino David Ricardo foi o mais influente teórico clássico do comércio internacional e se concentrou na comparação dos custos dos produtos dentro dos países e entre eles. É dele o famoso exemplo elaborado com base nas relações econômicas anglo-portuguesas. A tese de Ricardo tem início num mundo sem comércio. Se a Inglaterra produz tecidos de forma mais eficiente que vinho, o tecido inglês será barato em relação ao vinho do país. Se Portugal produz vinho de forma mais eficiente que tecido, então o vinho português será barato em relação ao tecido português. Se os dois países se abrirem ao comércio, eles comprariam no exterior o que lá é mais barato: os ingleses comprariam o vinho de Portugal e os portugueses adquiririam os tecidos da Inglaterra. Ricardo acrescentou que a Inglaterra deveria comprar todo o vinho que consumisse de Portugal, que por sua vez deveria adquirir todo o seu tecido da Inglaterra. Dessa forma, cada país poderia se concentrar naquilo que poderia produzir mais barato [FRIEDEN, 2006].
David Ricardo trouxe dois conceitos: o da renda da terra e a ada teoria das vantagens comparativas. No primeiro verifica-se a renda da primeira terra (a melhor e que produz mais), mas que com o tempo é esgotada, e tem-se então que procurar pela segunda terra, que produz menos, e aí em diante, até a última opção de terra, que produz menos. E como a oferta é menor e a procura é relativamente maior para esta última terra, o preço dos produtos tende a ser o maior. Vamos a um exemplo: a primeira terra produz 80 sacas de qualquer produto por 10 libras. A população se expande e a maior parte dela vai morar na área urbana e com isso a agricultura tem que ser aumentada para que possa suprir as necessidades humanas. E isso vai esgotar a terra melhor, que como sabemos, é um recurso escasso, forçando a produção partir para as menos produtivas. E mesmo que esta produza menos que 10 sacas de nosso exemplo cobrará mais, por ser a última disponível chegando a 127 libras. Logo, a renda da terra vem do desenvolvimento urbano e procura sintetizar o quanto pode valer a terra e seu produto quando comparados à primeira terra.




Bibliografia
FIGUEIREDO, Marcus; CHEIBUB, Angélica Maria, Avaliação política e avaliação de políticas: um quadro de referência teórica, set./dez 1986
FRIEDEN, Jeffry A. (Tradução: Vivian Mannheimer), Capitalismo global: História econômica e política do século XX, 2006
VASCONCELLOS, Marco Antônio S.; GARCIA, Manuel E., Fundamentos de Economia, 2002