sexta-feira, 29 de julho de 2016

Inter-relação da Economia com outras áreas do conhecimento


Embora a Economia tenha seu núcleo de análise e seu objeto bem definidos, ela tem intercorrências com outras ciências. Afinal, todas estudam uma mesma realidade, e evidentemente há muitos pontos de contato [VASCONCELLOS & GARCIA, 2002].

A Economia se relaciona com a Matemática e a Estatística em relação ao uso das variáveis e da probabilidade. Estuda as variáveis (juros na matemática financeira) e constrói modelos (com números e expressões algébricas); e mensura dados estatísticos para a definição de cenários (por exemplo, o crescimento do PIB em determinado ano para saber se o país saiu de uma crise econômica e quais setores foram mais afetados, para então poder traçar medidas de recuperação para estes).
Um exemplo de utilização de ferramentas estatísticas e matemáticas aplicadas à Economia, conforme Vasconcellos e Garcia (2002): se o consumo nacional está diretamente relacionado com a renda nacional, podemos transcrever tal relação da seguinte forma:
, e
Pela primeira expressão temos que o consumo (C) é uma função (f) da renda nacional (RN); na segunda que dada a variação na renda teremos uma variação diretamente proporcional ao consumo agregado. Mas como as relações não são exatas, mas probabilísticas, recorremos à terceira expressão, que se torna exata para qualquer que seja o comprimento da circunferência. Assim:
Se a Economia tivesse relações matemáticas, tudo seria previsível. Mas não existe no mundo econômico regularidades como na terceira expressão, equivalência entre massa e energia, leis de Newton etc. Na Economia, o átomo aprende: pensa, reage, projeta, finge. Imagine como seria a Física e a Química se o átomo aprendesse: aquelas belas regularidades desapareceriam. Os átomos pensamentos logo se agrupariam em classes para defender seus interesses: teríamos uma “Física dos átomos proletários”, “Física dos átomos burgueses” etc [VASCONCELLOS & GARCIA, 2002].
Por isso que as Ciências Econômicas, Ciências Contábeis e Administração, embora trabalhem com números, são classificadas como Ciências Sociais, em vez de Exatas. Mas é claro que todas estas citadas também apresentam características imutáveis. Em Economia, por exemplo, o consumo nacional sempre depende da renda nacional, ou a quantidade de exportações e importações que dependem da taxa de câmbio.
Outras áreas estreitas à Economia:
Administração: planeja a produção, o controle, delega, vê a produção e os Recursos Escassos (RE) e depois, administra as pessoas à trabalhar para obter seus objetivos. Escolhe opções.
Política: é o jogo de pressões da sociedade, ou seja, os agentes sociais (também chamados atores sociais ou agentes de pressão1), que são o governo, ao emitir suas medidas provisórias. Os empresários eram contra a medida provisória n° 232, também chamada de política econômica, que tinha mais o sentido de ações do que de pressões.
História: analisa fatos, datas e causas para se ter uma visão melhor das suas consequências. Por exemplo, estuda a Revolução Industrial de 1750 na Inglaterra para entender o desenvolvimento do Capitalismo e das teorias econômicas.
Geografia: analisa o espaço físico e os Recursos Escassos utilizados pelas pessoas. Por exemplo, o estudo do clima, do solo e dos relevos ajuda no planejamento ao saber que o calor faz a soja secar, o que faz o preço cair e com isso, o seu valor ficar menor. Conforme Vasconcellos e Garcia (2002), “algumas áreas de estudo econômico estão relacionadas diretamente com a geografia, como a Economia Regional, a Economia urbana, as Teorias de Localização Industrial e a Demografia Econômica”.
Direito: formação do arcabouço (esqueleto) jurídico institucional (leis). O arcabouço é a estrutura de onde e como os contratos sã feitos e registrados. Por exemplo, uma empresa de Nova York que vende carros e estes chegam amassados ao Brasil. Pergunta: quem deve responder pelos amassados?


Divisão do Estudo Econômico

A análise econômica é normalmente dividida em quatro áreas de estudo: Microeconomia ou Teoria de Formação de Preços, Macroeconomia, Economia internacional e Desenvolvimento Econômico. Resumidamente para os dois primeiros tipos temos que:
Microeconomia: estudo de um único setor. Por exemplo, o estudo de uma fábrica, um ramo de uma empresa, o PIB de um ano.
Macroeconomia: refere-se ao conjunto de setores, ou seja, análise de forma ampla. Por exemplo, o desemprego no país, o PIB nacional entre outros.
Em microeconomia temos o nome e o número dos dados a serem estudados (setores, empresas, renda de um grupo de trabalhadores assalariados, venda numa única data festiva), ao passo que em macroeconomia, somente temos o nome da variável.
A primeira divisão da Economia estuda o consumidor e/ou os consumidores de um grupo específico. Estuda o preço das mercadorias e as suas relações com as vendas aos consumidores.
Em relações internacionais, por sua vez, estudam-se a inflação (e o Fundo Monetário Internacional – FMI),. Procura ligar o Brasil a outros países, bem como a situação das filiais de multinacionais aqui instaladas. Tem como alguns de seus objetos de estudo as ações da OMC, ONU, ALCA e os blocos econômicos (NAFTA, MERCOSUL, União Europeia e PEP).
O último objeto de estudo, o do Desenvolvimento Econômico, preocupa-se, conforme explicam Vasconcellos e Garcia (2002) com a melhoria no padrão de vida da coletividade ao longo do tempo. O enfoque é também macroeconômico, mas centrado em questões estruturais e de longo prazo, como progresso tecnológico e estratégias de crescimento.


Bibliografia
FIGUEIREDO &CHEIBUB, 1986: FIGUEIREDO, Marcus; CHEIBUB, Angélica Maria, Avaliação política e avaliação de políticas: um quadro de referência teórica, set./dez 1986
FRIEDEN, 2006: FRIEDEN, Jeffry A. (Tradução: Vivian Mannheimer), Capitalismo global: História econômica e política do século XX, 2006
VASCONCELLOS & GARCIA, 2002: VASCONCELLOS, Marco Antônio S.; GARCIA, Manuel E., Fundamentos de Economia, 2002



1Agentes de pressão: são os atores sociais (trabalhadores, que têm seus salários, empresários com o seu investimento e o governo, que regula tudo. São conhecidos como agentes econômicos racionais.