sexta-feira, 29 de julho de 2016

Conceito de custo de Oportunidade e a visão contábil


Conforme traz a literatura:
A transferência dos fatores de produção de um bem A para produzir um bem B implica um custo de oportunidade que é igual ao sacrifício de se deixar de produzir parte do bem A para se produzir mais do bem B. O custo de oportunidade também é chamado de custo alternativo, por representar o custo da produção alternativa sacrificada, ou custo implícito. Por exemplo, no diagrama anterior , para aumentar a produção de alimentos de 30 para 45 toneladas (passar do ponto B para o C), o custo de oportunidade em termos de máquinas é igual a 5 mil, que é a quantidade sacrificada desse bem para se produzir mais 15 toneladas de alimentos [VASCONCELLOS & GARCIA, 2002].
Conforme o autor citado acima, é de esperar que os custos de oportunidade sejam crescentes, já que quando aumentamos a produção de um bem, os fatores de produção transferidos dos outros produtos se tornam cada vez menos aptos para a nova finalidade, ou seja, a transferência vai ficando cada vez mais difícil e onerosa, e o grau de sacrifício vai aumentando. Esse fato justifica o formato côncavo da curva de possibilidades de produção: acréscimos iguais na produção dos alimentos implicam decréscimos cada vez maiores na produção de máquinas, como mostra o gráfico Erro: Origem da referência não encontrada.
O custo de oportunidade também é usado na visão contábil, uma vez que esta o utiliza para avaliar investimentos (se seriam viáveis ou não). A diferença entre Economia e Contabilidade consta mais nas perspectivas teóricas e focos das situações analisadas. Por exemplo, um grau de alavancagem econômico tem um conceito teórico diferente de um contábil. Em Economia o Lucro é uma parcela de custos, ao passo que para a contabilidade é o resultado positivo quando se retira todos os custos e despesas das receitas. Os contadores medem os débitos e créditos das empresas e os dados gerados são usados pela Economia para diversas utilidades, desde a análise de inflação à definição do Produto Interno Bruto – PIB1 – de um País, Estado ou município.
A contabilidade pública determina o patrimônio dos entes públicos, tal como por exemplo, o Orçamento da União, a dívida pública dos Estados e as variações dos investimentos. A Economia mede a velocidade do mercado e a sua racionalidade (metodologia). A Economia mensura a empresa, o salário, o poder aquisitivo das famílias e o lucro, ao passo que a contabilidade mira o patrimônio de uma entidade, que por sua vez engloba as movimentações de uma empresa, bem como o salário de uma pessoa física (para cálculos de IR, por exemplo), para a determinar prejuízo.


Deslocamento da curva de possibilidades de produção

O deslocamento da Curva de Possibilidades de Produção (CPP) para a direita ou para cima indica que o País está crescendo, pois como vimos, essa seria uma situação “impossível” por limitações tecnológicas, pelo menos no curto prazo. Como Vasconcellos e Garcia (2002) explicam:
Isso pode ocorrer fundamentalmente tanto em função do aumento de quantidades físicas de fatores de produção quanto em função de melhor aproveitamento dos recursos já existentes, o que pode ocorrer com o progresso tecnológico, maior eficiência produtiva e organizacional das empresas e a melhoria no grau de qualificação da mão-de-obra. Desse modo, a expansão dos recursos de produção e os avanços tecnológicos, que caracterizam o crescimento econômico, mudam a curva de possibilidades de produção para cima e para a direita, permitindo que a economia obtenha maiores quantidades de ambos os bens [VASCONCELLOS & GARCIA, 2002].
Assim podemos citar como exemplo de fator que permitira tal mudança a descoberta de uma nova jazida de petróleo. Então aplica-se uma nova tecnologia, há aumento de produção e mais mão de obra é preparada e começa a trabalhar, fazendo girar a economia.
É possível numa economia haver crescimento positivo ou negativo, sedo que há o segundo caso quando há uma diminuição na capacidade produtiva. Por exemplo, o esgotamento de uma reserva de petróleo ou o rompimento com um fornecedor internacional de matérias-primas. Sempre o crescimento se mantém negativo ao longo de dois trimestres consecutivos dá-se o nome de recessão, um indicador que sempre vem acompanhado de desempregos em massa num ou em vários setores da economia.


Funcionamento de uma economia de mercado: fluxos reais e monetários

Para explicar o funcionamento de uma economia de mercado utilizamos mais uma vez a obra de Vasconcellos e Garcia (2002), que abordam o tema isolando qualquer fluxo que não venha do próprio mercado – excluindo aqui aqueles em que há o domínio ou regulamento do Estado, por exemplo. Segundo os autores:
Para se entender o funcionamento de um sistema econômico vamos supor uma economia de mercado que não tenha interferência do governo e não tenha transações com o exterior (economia fechada). Os agentes econômicos são proprietários dos fatores de produção e os fornecem às unidades de produção (empresas) por meio do mercado dos fatores de produção. As empresas, por meio da combinação dos fatores de produção, produzem bens e serviços e os fornecem às famílias pro meio do mercado de bens e serviços [VASCONCELLOS & GARCIA, 2002], conforme a figura a seguir:
A taxa de importações e exportações pode ser modificada pelo Governo como forma de controle cambial. Quando está muito elevada, pode-se diminuí-la e com isso o País poderá importar ou exportar mais. Outra forma diminuição da taxa e do preço é pelo movimento do próprio mercado e em sua essência: da moeda. Quando há muita oferta de um bem ou serviço o preço deste tende a cair, e o contrário é verdeiro, ou seja, muita demanda leva o preço a se elevar.
Disso temos o entendimento de Vasconcellos e Garcia (2002):
Como pode ser observado, famílias e empresas exercem um duplo papel. No mercado de bens e serviços, as famílias demandam bens e serviços, enquanto as empresas os oferecem; no mercado de fatores de produção, as famílias oferecemos serviços dos fatores de produção (que são de sua propriedade), enquanto as empresas os demandam.
Porém, ao essa modificação nos preços e nas taxas, há prejuízo para um dos atores no mercado. Quem exporta acaba tendo que vender por preços menores, sendo que quem trabalha com importações ganha ao pagar menos dólares. Não há como beneficiar os dois lados nas operações com fornecedores ou clientes externos. Quanto mais vendem dólares, mais o preço cai e menor fica a cotação da moeda estrangeira (lei da demanda: comprar pelo menor preço).
No entanto, paralelamente ao fluxo temos um fluxo monetário da economia [VASCONCELLOS & GARCIA, 2002].
No mercado, o comprador busca sempre o menor preço e a maior quantidade de mercadorias, ou seja, maximiza as suas compras para ter lucros. No mercado de câmbio, os ofertantes acertam que, por exemplo, 2,695 reais compram um dólar. Isso é o preço de câmbio e pode ser aumentado ou diminuído pelo Governo do País.
Unindo os fluxos real e monetário da economia temos, conforme Vasconcellos e Garcia (2002) o chamado Fluxo circular de renda, expresso no diagrama a seguir:


Definição de bens de capital, de consumo, intermediários e fatores de produção

Podemos de forma sintética usar os conceitos a seguir:
  • Bens de capital: máquinas, equipamentos e instalações (são bens finais);
  • Bens de consumo: mercadorias duráveis (geladeira, por exemplo) e não duráveis (alimentos);
  • Bens intermediários: matérias-primas, componentes e insumos e;
  • Fatores de produção: trabalho humano, capacidade empresarial, terra, capital e tecnologias.
Verifica-se que em cada um dos mercados atuam conjuntamente as forças da oferta e da demanda, determinando o preço [VASCONCELLOS & GARCIA, 2002]. Assim, como explicam os autores citados, no mercado de bens e serviços formam-se os preços dos bens e serviços, enquanto no mercado de fatores de produção são determinados os preços dos fatores de produção – da nossa listagem anterior. Assim, conforme Vasconcellos e Garcia (2002):
Esse fluxo, também chamado de fluxo básico, é o que se estabelece entre famílias e empresas. O fluxo completo incorpora o setor público, adicionando-se o efeito dos impostos e dos gastos públicos ao fluxo anterior, bem como o setor externo, que inclui todas as transações com mercadorias, serviços e o movimento financeiro com o resto do mundo [VASCONCELLOS & GARCIA, 2002].
Partindo para a literatura definimos as seguintes características de cada item:
Os bens de capital são aqueles utilizados na fabricação de outros bens, mas que não se desgastam totalmente no processo produtivo. Vasconcellos e Garcia (2002) utilizam como exemplo as máquinas , os equipamentos e as instalações, por serem usados para a produção mas que nunca ficam obsoletos integralmente, embora seu desgaste seja contabilizado com a depreciação anual (por exemplo, uma máquina industrial contabilmente leva dez anos para ficar obsoleta, logo, tem depreciação expressa no Balanço de 10% ao ano). Como são patrimônio da empresa são classificados no ativo permanente imobilizado e uma das características é a de contribuir para a melhoria da produtividade da mão-de-obra.
O segundo item do grupo – o dos bens de consumo – destina-se diretamente ao atendimento das necessidades humanas, apresentando durabilidade que pode ser alta (bens duráveis)ou baixa (bens de consumo). Na contabilidade utiliza-se a ideia do prazo de duração ou vida útil destes itens para classificá-los, sendo que por exemplo, um veículo é um bem de consumo durável, pois existirá trabalhando para o consumidor final ou empresa por vários anos até perder a sua capacidade de produção ou serviço e por isso, é registrado como ativo imobilizado. Em contrapartida, materiais para consumo, limpeza e manutenção são geralmente para uso imediato e são consumidos rapidamente, além de apresentarem valor de aquisição baixo. Para itens como líquidos de limpeza, clipes de papel, cartuchos para impressoras utiliza-se a classificação de despesa para uso ou consumo.
Os bens intermediários, por sua vez, são aqueles que são transformados ou são melhorados (com relação a valores) durante o processo produtivo dos bens ou serviços e que são consumidos totalmente. São exemplos as matérias-primas para a confecção de veículos (ferragens, parafusos), que durante a produção não são integralmente utilizadas e são transformadas em produtos a serem comercializados. Conforme Vasconcellos e Garcia (2002), diferenciam-se dos bens finais, que são vendidos para consumo ou utilização final e são bens de capital, pois não são totalmente consumidos na produção, os seja, são bens finais.
O último item da lista, o dos fatores de produção, que também são chamados de recursos de produção da economia, são constituídos pelos recursos humanos (advindos da capacidade física e intelectual), além dos bens naturais, capital e a tecnologia.
Cada um destes fatores tem um custo, a saber:
Fator de Produção
Tipo de Remuneração
Trabalho
Salário do trabalhador e todos os encargos envolvidos.
Capital
Juros sobre o capital emprestado ou tomado em uma instituição financeira durante um determinado período de tempo e dentro de uma taxa pré-determinada, a juros simples ou compostos.
Terra
Aluguel ou arrendamento do terreno.
Tecnologia
Royalties sobre a técnica de produção ou dos direitos para utilizá-la. Ex.: parcela de direito dos Estados na exploração do Petróleo, utilização de receitas, sistemas e marcas para a venda de lanches de “marca”.
Capacidade empresarial
O lucro ou percentual sobre o caixa líquido gerado das empresas (lucro = receitas > despesas). Sob este aspecto, um empresário ao abrir sua empresa almeja ganhar mais dinheiro do que gastar.
Como se observa, há aqui uma diferenciação conceitual de lucro da Contabilidade para a Economia. Uma vez que a contabilidade considera que o lucro é o retorno de um investimento (gasta-se 1x para produzir alguma coisa que será vendida por 2x e isso trará retorno de 1x).


Argumentos positivos contra normativos

Em Economia, argumentos normativos são aqueles planejamentos, argumentos ou opções que objetivam a definição de valor sobre alguma coisa. Por exemplo, utilizamos de argumento normativo quando supomos que “o preço da gasolina não deve subir”. O resultado final poderá ser bom (confirmando a hipótese) ou mau (havendo aumento do preço da gasolina).
Conforme definem Vasconcellos e Garcia (2002):
A Economia é uma ciência social e utiliza fundamentalmente uma análise positiva, que deverá explicar os fatos da realidade. Os argumentos positivos estão contidos na análise que não envolve juízo de valor, estando esta estritamente limitada a argumentos descritivos, ou medições científicas. Ela se refere a proposições básicas, tipo se A, então B. Por exemplo, se o preço da gasolina aumentar em relação a todos os outros preços, então a quantidade que as pessoas irão comprar de gasolina cairá. É uma análise do que é [VASCONCELLOS & GARCIA, 2002].
Argumentos positivos são, portanto, as bases para a escolha das políticas mais apropriadas para a economia de um país. Por exemplo, se o administrador político quer aumentar a renda da população pode começar por aumentando os salários dos trabalhados (atuando sobre o salário mínimo). No entanto, se a economia estiver em plena capacidade de produção, tal medida utilizada no exemplo acarretará em maior custo da mão-de-obra e em consequência, virá o desemprego pois muitos empregadores não suportarão esse acréscimo nos custos. Assim sendo, os argumentos positivos servem para se obter o melhor caminho para se alcançar os objetivos melhores. Disso tem-se a ideia de política positiva.
Nesse aspecto a Economia se aproxima de certa forma da Física e da Química, pois, segundo Vasconcellos e Garcia (2002), por serem todas virtualmente isentas de juízo de valor. Conforme os autores citados, em Economia, no entanto, há o problema do comportamento das pessoas, que diferentemente de células ou de materiais, apresentam-se instáveis perante situações estranhas. E é nesse sentido que são definidos os argumentos normativos, análise que contem implícita ou explicitamente juízo de valor sobre alguma medida econômica. No exemplo do preço de gasolina, que deve subir, é expressado um juízo de valor (isto é, se o fato é uma coisa boa ou má.
Suponha por exemplo, que desejemos uma melhoria na distribuição de renda do país. É um julgamento de valor em que acreditamos. O administrador de política econômica (também chamado de policymaker) dispõe de algumas opções para alcançar esse objetivo (de aumentar salários, combater a inflação, criar empregos etc.). A Economia Positiva ajudará a escolher o instrumento de política econômica mais adequado. Se a economia está próxima da plena capacidade de produção, aumentos de salários, por encarecerem o custo da mão-de-obra, podem levar a um aumento de desemprego, isto é, o contrário desejado quanto à melhoria na distribuição de renda. Esse é um argumento positivo, indicando que aumentos salariais, nessas circunstâncias, não constituem a política mais adequada [VASCONCELLOS & GARCIA, 2002].
Dessa forma, a Economia Positiva pode ser utilizada como base para a escolha da política mais apropriada [VASCONCELLOS & GARCIA, 2002], verificando se uma medida boa de um lado não pode com o decorrer do tempo apresentar um resultado contrário ao planejado. No entanto nem sempre uma ação politicamente popular e correta tem resultado indevido. Por exemplo, temos ainda o caso do aumento de preços da gasolina. Segundo o argumento positivo, se a gasolina aumentar, diminuirão os consumidores.


Bibliografia
FIGUEIREDO &CHEIBUB, 1986: FIGUEIREDO, Marcus; CHEIBUB, Angélica Maria, Avaliação política e avaliação de políticas: um quadro de referência teórica, set./dez 1986
FRIEDEN, 2006: FRIEDEN, Jeffry A. (Tradução: Vivian Mannheimer), Capitalismo global: História econômica e política do século XX, 2006
VASCONCELLOS & GARCIA, 2002: VASCONCELLOS, Marco Antônio S.; GARCIA, Manuel E., Fundamentos de Economia, 2002



1O PIB é a soma de tudo o que foi produzido e comercializado ao longo do ano. Pode-se medi-lo analisando-se as empresas, o mercado, os setores e compará-lo com o de anos ou períodos anteriores.