domingo, 31 de julho de 2016

Ambiente empresa, gestão e eficácia




 Sistema empresa


A proposta é que a empresa seja analisada como um sistema organizacional que exerce atividade econômica, não sendo relevante a forma jurídica como se constitui, tão-pouco com a natureza dos benefícios gerados. A diferente idéia de sistema tem ajudado a compreensão de vários assuntos no âmbito de organizações empresariais, isso vale também sobre a sua definição. Sob a visão de seu fundador, Von Bertalanffy, a teoria dos sistemas resume-se em:

(...) é uma visão da realidade que transcende os problemas tecnológicos, exige uma reorientação das ciências, atinge uma ampla gama de ciências desde a física até as ciências sociais e é operativa com vários graus de sucesso.” (in: Lodi,1987:199)

Entende-se, portanto, que SISTEMA é uma metodologia de estudo que permite estudo de relações com ambiente, delimitação, estruturação, estudo e compreensão sobre os elementos que a compõem. De acordo com Bio (1985:18)

uma empresa excede a soma de atividades isoladas, tais como: vender, comprar, controlar pessoal, produzir, pagar e receber. (...) Ela deve ser considerada mais do que meros componentes reunidos, de forma estática, através de uma estrutura de organização. É necessário conceituá-la como um sistema de partes estreitamente relacionadas, com fluidez dinâmica.”

O texto acima define, então, que Sistemas são conjuntos de elementos interdependentes, cada um com seu desenvolvimento de função, para atingir os objetivos do todo, justificando a união de suas partes.



        Conceitos e características dos sistemas


Os sistemas em relação a sua capacidade de interação podem ser abertos ou fechados, onde os abertos são capazes de interagir com o meio ambiente e os fechados não. Em relação a sua capacidade de alterar suas características por consequência de realização de atividades podem ser: estáticas, aonde não realizam atividades, portanto não sofrem modificações; dinâmicas, tem suas características alteradas de acordo com realização de atividades, internas ou em consequência de seu ambiente, e homeostáticas, são considerados estáticos em relação ao ambiente externo, mas dinâmicos quanto ao seu funcionamento.



          Empresa como sistema aberto e dinâmico


A continuidade, a sobrevivência, o crescimento e o desenvolvimento de uma organização estão na sua capacidade de interagir com o ambiente em que está inserida. A organização sofre influência externa, e influencia o ambiente em que faz parte. Muitas das influências externas não podem ser previstas ou controladas. Sob o enfoque da teoria dos sistemas, as organizações caracterizam-se como um sistema aberto e dinâmico, onde o sistema é visto como um conjunto de elementos interdependentes que, interagem entre si, com determinados objetivos e efetuam determinadas funções. Como um sistema aberto a empresa está constantemente interagindo com o ambiente e como sistema dinâmico realiza atividades que a mantém em constante mutação.



          Ambiente, segmento e continuidade


O ambiente externo é um conjunto de entidades que direta ou indiretamente impactam ou são impactados pela atuação da empresa. Catelli (1997) propõe a caracterização do seu ambiente remoto e de seu ambiente próximo, realçando a visão de segmentos e variáveis que determinam a amplitude da gestão empresarial. O ambiente remoto é composto de entidades que embora possa não se relacionar diretamente, possuem autoridade, domínio, ou influência para definir variáveis, uns exemplos claros são governo e entidades regulatórias. O ambiente próximo e composto de entidades que atuam e competem tais como fornecedores, concorrentes e os próprios clientes. Segmento é definido como um conjunto de atividades que constituem determinados estágios de ciclo econômico, que inicia desde a obtenção de insumos até o consumo final dos produtos ou serviços gerados. A adaptabilidade ao ambiente externo e ao qual está inserida, autocontrole para manter dentro do limite normal algumas variáveis e informação são aspectos que precisam ser analisados e aplicados objetivando o pressuposto da continuidade e durabilidade da empresa.



          Modelo conceitual do Sistema Empresa


A Missão caracteriza a verdadeira razão de existência da empresa, assumindo papel permanente e direcionando seu modo de ação, que devem fluir independente de condições ambientais do momento e também de condições internas.

Os objetivos da empresa devem ser formulados de acordo com sua missão, visando orientar a sua atuação. Os objetivos sociais e econômicos da empresa devem ser conciliados, pois se tratam do equilíbrio que a empresa necessita na sua estrutura. A organização é composta de vários subsistemas do sistema principal, cada um tem suas características próprias, porém de forma se relacionar na constituição de um todo, e com objetivos ou uma razão que integra e justifica a reunião de suas partes.

  • Subsistema institucional: crenças, valores e expectativas dos proprietários da empresa que se convertem em diretrizes e norteiam o comportamento diante do ambiente externo.
  • Subsistema físico: elementos materiais da empresa, imóveis, instalações, máquinas, veículos, etc.
  • Subsistema social: elementos humanos da empresa e suas características próprias.
  • Subsistema organizacional: como são agrupadas as atividades da empresa (departamentalização).
  • Subsistema de gestão: orienta a realização das atividades da empresa a seus propósitos, ou seja, a dinâmica do sistema. Planejamento, execução e controle das atividades empresariais.
  • Subsistema de informação: processamento e geração de informações.



          Modelo de gestão, processo de gestão


De acordo com a GECON, o modelo de gestão deve explicitar todas as regras básicas ou diretrizes principais para gestão da empresa, para que cumpra a missão para a qual foi constituída. O processo de gestão configura-se com base nas definições do modelo de gestão da empresa, procurando assegurar que as decisões conduzam para a missão pela qual foi criada.

O processo de gestão econômica (CATELLI e GUERREIRO 1997) estrutura-se em planejamento estratégico, assegurando o cumprimento da missão e continuidade da empresa, planejamento operacional, envolvendo a escolha de melhores diretrizes estratégicas e otimizando o desempenho da empresa, execução, fase com o propósito de alcançar os objetivos traçados e controle, que busca assegurar que os resultados planejados sejam realizados. O sistema de informação tem como objetivo subsidiar os gestores com informações sobre os resultados das alternativas simuladas, planejadas e realizadas em todas as fases do processo de gestão.




          Eficiência empresarial


A eficácia empresarial se caracteriza pelo grau de atendimento da missão do negócio e garantia de continuidade da entidade. Entende-se por eficácia a capacidade gerencial de “fazer com que as coisas sejam realizadas”, ou atingir os resultados planejados.

Na eficácia entende-se também que não é simplesmente atingir ou não um objetivo, mas a visão de diferentes graus de atendimento. Em se tratando de alcance da eficácia do sistema-empresa e de cada uma de suas partes implicam em levar em consideração requisitos fundamentais, como produtividade, eficiência, satisfação, adaptabilidade do processo decisório e desenvolvimento.

Diversos autores apresentam sua visão sobre eficácia empresarial. Gibson (ET al.1988:77) define eficácia como sendo o grau que as organizações atingem sua missão, metas e objetivos, dentro de seus recursos. Já Nakagawa (1987:34) considera que a eficácia está associada diretamente com resultados e produtos decorrentes da atividade da organização para a realização e atendimento das metas da empresa. Bio (1985:20 ss) deixa clara a diferença entre eficiência e eficácia quando cita:

Uma empresa eficaz coloca no mercado o volume pretendido do produto certo para determinada necessidade, Eficiência diz respeito a método, a modo certo de fazer as coisas. È definida pela relação de volumes produzidos/ recursos consumidos. Uma empresa eficiente é aquela que consegue o seu volume de produção com menor dispêndio possível de recursos .”

Alguns critérios para eficácia empresarial foram definidos, de acordo com Gibson ET al. (1988:77 ss) tais como: sobrevivência, adaptabilidade, desenvolvimento, produção, eficiência e satisfação.

O resultado econômico constitui a melhor maneira de mensurar a eficácia empresarial, com o objetivo de conduzi-la a melhores níveis adequando a realidade da empresa. Se uma empresa é eficiente, este ponto estará refletido no lucro de forma positiva, o mesmo acontece se a mesma satisfizer seus clientes, ou tiver uma posição vantajosa no mercado, e assim também com os demais índices. No entanto, o lucro não é o contábil, o ortodoxo segundo a legislação ou normas contábeis, mas sim o lucro econômico, medido através de um sistema de mensuração que realmente espelhe o patrimônio econômico empresarial e suas mutações.