terça-feira, 16 de agosto de 2016

Exercício de projeção de caixa


Vamos montar uma projeção de caixa?
Para efeito de melhorar a compreensão dos assuntos inerentes ao fluxo de caixa, vamos propor o seguinte exercício para a elaboração de uma projeção de caixa: Elaborar a projeção de caixa relativa ao primeiro semestre de 2006 e para cada um dos meses com os dados a seguir:

  1. Saldo de caixa em 31/12/2005: R$ 550.000,00;
  2. Saldo de duplicatas a receber em 31/12/2005: R$ 800.000,00 com data de vencimentos de 60% em janeiro e 40% em fevereiro;
  3. Vendas previstas de: R$ 2.500.000,00 em janeiro, R$ 2.400.000,00 em fevereiro, R$ 2.700.000,00 em março, totalizando R$ 7.600.000,00;
  4. Considerar previsão de recebimentos da seguinte forma: 20% das vendas sendo recebidas a vista, ou seja, no próprio mês do recebimento; 40% das vendas recebidas no mês seguinte de suas realizações; 40% das vendas sendo recebidas no segundo mês de suas realizações;
  5. Saldo de fornecedores em 31/12/2005 de R$ 500.000,00, com data de vencimento de 60% para janeiro e 60% para fevereiro;
  6. Compras previstas em janeiro de R$ 1.500.000,00, em fevereiro de R$ 1.300.000,00 e março de R$ 1.800.000,00.
  7. Considerar previsão de pagamentos da seguinte forma: idem item 4;
  8. Pagamento de investimentos em imobilizados: janeiro de R$ 100.000,00, fevereiro de R$ 120.000,00 e março de R$ 150.000,00;
  9. As despesas operacionais (de vendas e administrativas) estão previstas em R$ 750.000,00 por mês.
E agora vamos à resolução do exercício:


Projeção de Caixa
Descrição
Janeiro
Fevereiro
Março
Total Tri.
1 – Saldo inicial de Caixa
R$ 550.000,00
R$ 80.000,00
-R$ 50.000,00
R$ 70.000,00
2 – Entradas previstas de caixa:
R$ 980.000,00
R$ 1.800.000,00
R$ 2.500.000,00
R$ 5.280.000,00
Saldo de duplicatas em 31/12/05
R$ 480.000,00
R$ 320.000,00
R$ 0,00
R$ 800.000,00
Vendas à vista
R$ 500.000,00
R$ 480.000,00
R$ 540.000,00
R$ 1.520.000,00
Cobranças das vendas de janeiro
R$ 0,00
R$ 1.000.000,00
R$ 1.000.000,00
R$ 2.000.000,00
Cobrança das vendas de fevereiro
R$ 0,00
R$ 0,00
R$ 960.000,00
R$ 960.000,00
3 – Total de Entradas
R$ 1.530.000,00
R$ 1.880.000,00
R$ 2.450.000,00
R$ 5.350.000,00
4 – Saídas previstas de caixa
-R$ 1.450.000,00
-R$ 1.930.000,00
-R$ 2.380.000,00
-R$ 5.760.000,00
Saldo de fornecedores em 31/12/05
R$ 300.000,00
R$ 200.000,00
R$ 0,00
R$ 500.000,00
Compras à vista
R$ 300.000,00
R$ 260.000,00
R$ 360.000,00
R$ 920.000,00
Pagamentos de compras à prazo em janeiro
R$ 0,00
R$ 600.000,00
R$ 600.000,00
R$ 1.200.000,00
Pagamentos de compras à prazo em fevereiro
R$ 0,00
R$ 0,00
R$ 520.000,00
R$ 520.000,00
Pagamento de investimentos em imobilizado
R$ 100.000,00
R$ 120.000,00
R$ 150.000,00
R$ 370.000,00
Pagamento de despesas operacionais
R$ 750.000,00
R$ 750.000,00
R$ 750.000,00
R$ 2.250.000,00
5 – Superavit / Deficit (2-4)
-R$ 470.000,00
-R$ 130.000,00
R$ 120.000,00
-R$ 480.000,00
6 – Saldo Final de Caixa (1-5)
R$ 80.000,00
-R$ 50.000,00
R$ 70.000,00
-R$ 410.000,00

A administração do fluxo de caixa é sempre feita antes do período, pois com isso, tem-se uma melhor visualização do cenário.
Com base nesses resultados podemos propor algumas providências para diminuir o prejuízo:
  • Aumentar as vendas;
  • Diminuir as despesas operacionais;
  • Negociar um prazo maior para as compras ou os preços;
  • Antecipar os recebimentos (o setor de cobrança aos clientes ou à área de vendas);
  • Diminuir os investimentos, uma vez que não precisa realizar tantos, ou pelo menos separar os que sejam prioritários. Se tudo for necessário e não conseguir vender mais, deve-se mexer nos preços;
  • Negociar a redução dos preços das compras.
É obrigatório eliminar todo o caixa negativo, devendo para isso a empresa buscar recursos e aumentar o seu capital social (recurso próprio), buscando para isso mais acionistas, quando for uma sociedade anônima de capital aberto. O departamento financeiro com uma visão macro apenas não tem capacidade para gerir esses problemas, procurando saná-los, uma vez que apenas focaria nas contas de um único mês. A visão para a solução deve ser total e diária para não deixar a empresa cair em prejuízos intermináveis.
Dessa forma, se a empresa precisar de recursos pode buscar por bancos, recurso próprios e descontos, mas lembrando que mesmo os recurso dos sócios tem custo alto, uma vez que os donos sempre buscam um retorno de seus investimentos. E esse é mais um ponto importante: o custo dos investimentos. Devemos ter em mente que trata-se de custo e que não aparece na contabilidade (custo oportunidade e alternativas de outros investimentos).
Toda essa análise só pode ser feita de forma ampla se utilizar mecanismos e técnicas da Análise de Balanços.