sexta-feira, 5 de agosto de 2016

As decisões relacionadas à liquidez e rentabilidade



Decisões relacionadas à liquidez e rentabilidade
Para que o administrador financeiro possa tomar, com toda convicção, decisões concretas em relação à liquidez, rentabilidade e investimentos benéficos para a empresa devem fazer uso dos coeficientes ou índices de liquidez constantes na Análise de Balanços.
É comum e correto para uma empresa usar os prazos das contas a receber e a pagar, ficar sempre atento ao fluxo de caixa1 - que é a Demonstração de Fluxo de Caixa Direta. Este que administra o capital de giro de hoje para frente, e não no final no mês, quando a contabilidade já efetuou todos os cálculos - e nunca vender ao cliente com prazo superior ao do que foi comprado do fornecedor. Se comprar para pagar em um ano apenas poderá vender para o cliente se este puder pagar com o mesmo prazo ou menos. Quando a empresa faz o contrário acaba pagando capital de giro emprestado de bancos e pagando juros, de cerca de 5% ao mês. É algo arriscado e custoso que a empresa antes de aceitar deve estudar e planejar para prever seus impactos.
A empresa tem liquidez quando consegue realizar os seus ativos. Um exemplo desse processo é o ato de “girar o estoque”, ou seja, a empresa vende um produto, que sai do estoque e em consequência é recolocado outro no lugar. Se não vende, não realiza o ativo – estoque. Logo, a empresa diminui o preço e quanto mais esta conseguir vender, menor será o prejuízo (de ficar sem receber). Caso a empresa não tenha mais como vender, é urgente que tome alguma providência.
O acionista acredita no estoque e se este não é mais vendido, não tem mais valor. É mais prudente quebrar todo o estoque sem valor e o vende como sucata do que mantê-lo e dando custos e prejuízo. Se no estoque existem produtos que giram de três a seis vezes por exercício e têm também produtos parados a empresa deve ter alguma ação para fazer todo o estoque girar.
O fato mais importante que deve ser observado pelo administrador financeiro na empresa é o conflito entre a liquidez versus a rentabilidade. Tomemos o exemplo ma seguir: os gestores da empresa “x” querem deixar R$ 1.000.000,00 no capital de giro.
Os investimentos da empresa confirmam a necessidade deste valor, mas como há o risco de o investimento ficar mais caro decidiu-se por colocar mais meio milhão de reais. Com isso. Estão o investimento está garantido e ainda terão liquidez. Caso o lucro desta empresa fosse de R$ 200.000,00 e com um investimento inicial de R$ 1.000.000,00, ter-se-ia 20% de rentabilidade.
Contudo, se o lucro ainda tivesse o mesmo valor e o investimento (capital de giro) fosse maior em quinhentos mil reais ter-se-ia 13,3% de rentabilidade. Logo, todo o aumento de liquidez consiste em queda de rentabilidade.
Como é de se notar, ao aumentar a tranquilidade se acaba por diminuir a margem de lucro e o contrário é verdadeiro: se, por exemplo, o lucro continue com o mesmo valor e agora mexamos com o capital de giro para baixo, de 1,5 milhões de reais para R$ 850.000,00 a rentabilidade aumentaria para 24%. Contudo, baixando o capital de giro, a empresa poderia perder grandes oportunidades – tais como propostas de fornecedores em aquisição de materiais pela metade do custo habitual – ou mesmo de estar preparada para eventuais contingências.
O ponto certo entre o conflito liquidez e rentabilidade varia conforme a atividade e mesmo assim, depende de estudos. Em síntese, viu-se que:
  • Quando se aumenta o capital de giro, o resultado é aumento de liquidez e diminuição de rentabilidade e
  • Quando se diminui o capital de giro, o resultado é menor liquidez e maior rentabilidade.
Partindo desses pontos é possível afirmar que se sobra dinheiro em caixa todos os meses é o mesmo que dizer que há muito capital de giro e que a rentabilidade é afetada. Mas se a empresa devolver o dinheiro que sobra aos sócios recupera-se a rentabilidade. O ideal, no entanto, é haver o equilíbrio, deixando-se assim o capital de giro no limite, apenas o necessário.



1O Fluxo de Caixa pelo método direto é geralmente utilizado para planejar e controlar o capital de giro da empresa. Já o fluxo de caixa que pode ser elaborado pelo administrador financeiro não precisa necessariamente ter o formato da demonstração contábil. Registra os valores de entradas e saídas conforme o dia em que ocorre, facilitando o planejamento e tomada de decisões relacionadas ao caixa.