quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Ciclos operacionais, regimes e fluxos




O ciclo operacional refere-se a todas as atividades da empresa, compreendendo todo o ciclo operacional – da compra da matéria-prima até o recebimento -, o ciclo econômico – da compra da matéria-prima até as vendas – e o ciclo financeiro – que vai do primeiro desembolso até o recebimento efetivo. Logo, todo o conjunto de atividades que começam e antes de chegarem ao fim, outros ciclos já foi iniciado compõem o giro funcional da empresa para que ela sobreviva. Divide-se em atividades econômicas e financeiras. Os ciclos operacionais influenciam no curto prazo, pois o ciclo operacional é curto prazo e acima dele, longo prazo. Os ciclos são estes:
  • Ciclo operacional: inicia-se com a compra da matéria-prima e encerra-se com o recebimento das vendas. Representa a união do ciclo econômico ao financeiro.
  • Ciclo econômico (ou de competência): inicia-se com a compra da matéria-prima e encerra-se com as vendas. Normalmente começa e termina antes do ciclo financeiro e demonstra as informações na DRE.
  • Ciclo financeiro: inicia-se com o primeiro desembolso e encerra-se com o recebimento.
O ciclo de caixa é o ciclo financeiro, que compreende o período de entradas e de saídas de recursos financeiros. Ou seja, vai do primeiro desembolso ao recebimento efetivo e utiliza-se do fluxo de caixa (em vez de uma DRE, que em vez de entradas e saídas trabalha com despesas e receitas).
Vale lembrar que o prazo ou ciclo empresarial de uma empresa, no que tange a curto ou longo prazo, depende exclusivamente da atividade principal da empresa. Por exemplo, empresas que trabalham construindo navios levam em média de três a cinco anos para encerrar um ciclo operacional, e para tanto, podem tratar este período como sendo de curto prazo.

Capital de giro, o capital próprio e o capital circulante líquido

Os recursos das empresas são aplicados em ativos fixos (grupo do permanente) e ativos correntes. As contas do caixa, bancos, duplicatas e estoques (todo o ativo circulante) pertencem às contas do capital de giro.
O Capital de giro é o correspondente ao capital circulante líquido (CCL), que por sua vez representa o que sobra quando se retira o passivo circulante do ativo circulante. O capital circulante líquido é o valor real positivo da diferença de AC – PC. É verdadeiramente a fonte de recursos disponíveis na empresa para suprir suas necessidades operacionais.
São os recursos da empresa que são aplicados em ativos fixos e todo o ativo circulante. É o investimento de curto prazo para que a empresa supra suas necessidades operacionais e por tantas mudanças que sofre (contingências) sofre relação direta com as vendas e por ser de curto prazo, custa mais (por ser mais difícil de administrar).
Na Lei das S.A’s, o capital de curto prazo se realiza até um ano, para sustentar o nível de operações da empresa, correspondente ao ciclo operacional. O dinheiro é para sustentar um conjunto de atividades da organização, tais como o fato de ao dar prazo para o cliente, a compra da matéria-prima, todas as operações até o recebimento ou reembolso dessas operações, quando enfim acaba o ciclo e entra o dinheiro.
O capital de giro a ser utilizado pelas empresas tem as seguintes características:
  • Sofre mais alterações a todo o momento. O volume do capital de giro é sempre aumentado, diferentemente do capital fixo, em que o valor é maior e leva um tempo a mais para ser acrescido. O capital de giro muda de acordo com as operações, logo, quanto maior as movimentações e atividades da empresa, também serão maiores o capital de giro da entidade.
  • O capital de giro tem uma relação direta com as vendas. Isto é, se o volume de vendas aumentarem, o capital de giro também aumenta.
  • Apresenta característica de urgência. Na empresa sempre existe algo que foge ao planejamento e para isso, cria-se a reserva. Contudo, a reserva não pode ter valor muito alto, uma vez que isso significa dinheiro parado. São exemplos desse problema inesperado as chuvas intensas que podem vir a danificar o estoque ou o galpão, estragos no prédio entre outros. O permanente não apresenta esta característica de urgência.
  • Custos elevados. Apresenta financiamento mais caro, pois é mais difícil de ser administrado, sendo que de uma hora para outra a empresa pode precisar de mais recursos e carecer de novo financiamento.
  • Riscos maiores. Ocorre risco de falta de estoque suficiente (como a falta de produtos ou de embalagens para atender a produção, por exemplo) e falta de liquidez (quando a cliente não paga), que se ocorrer em um momento em que haja pouco capital de giro a empresa pode acabar ficando paralisada temporariamente.
  • Maior flexibilidade. O capital de giro sempre acompanha as ondulações das operações: quanto mais vende, mais capital de giro.
  • Planejamento de curto prazo. A tendência de todos os investimentos é de aumentarem. À medida que o tempo transcorre, a empresa precisa de mais máquinas, recursos, materiais e aplica muito destes para obter o retorno desejado em longo prazo.
Podemos sintetizá-lo da seguinte forma: Capital de giro deve ser de curto prazo, logo, é um recurso que existe para ser utilizado no dia-a-dia. São aplicações de capital de giro as compras para o estoque, os gastos involuntários, a sobrevivência do período em que a empresa efetua venda a prazo até o recebimento para o pagamento dos fornecedores e o dinheiro que tem em mãos no momento para a tomada de decisões mais rápidas. O capital de giro cresce com o crescimento das operações e com o dia-a-dia, mês a mês e isso é natural da empresa. Há diferentes formas de se aumentar o capital de giro.
Uma delas é ao aumentar o prazo de pagamento de um cliente que sabidamente para suas contas em dia. A empresa ao fazer isso fica mais tempo sem receber dinheiro e por esta razão o administrador acaba injetando recursos dele próprio no caixa da empresa, financiando o cliente e com isso aumenta o capital de giro.
Outra forma de aumentar o capital de giro é emprestando dinheiro: por exemplo, se empresta mil reais para um terceiro e depois este retorna devolvendo o valor acrescido com 10% de juros.
Vale lembrar que o capital de giro é recurso obtido em forma de dinheiro ou de crédito. E que quando se faz um investimento de longo prazo com este ou mesmo no curto prazo – como, por exemplo, com período de seis meses à frente – deve-se elaborar o fluxo de caixa para ver quanto custaria o investimento no presente e no futuro, concluindo se realmente valeria à pena.
E por fim, o capital de giro também apresenta divisões conforme a liquidez e sua proporção ao longo do tempo, com caráter permanente (ou constante) ou temporário, conforme as figuras a baixo:


 Conforme a figura nota-se que as alterações no capital permanente ocorrem entre longos intervalos. E quanto ao capital de giro propriamente dito se observa as divisões de Temporário e de Permanente.
No capital temporário os recursos oscilam conforme as vendas, ao passo que no permanente, o crescimento é constante. Vale aqui salientar mais uma informação: é possível financiar investimentos de curto prazo com recursos de longo prazo, no entanto, não seria saudável financiar investimentos de longo prazo com recursos do capital de giro, pois vencem antes que as operações gerem o retorno suficiente.