sábado, 22 de outubro de 2016

Síntese do fluxo do setor real e monetário numa economia simples e o PIB

Os pagamentos monetários são vistos no circuito interior (setor monetário) e representam a contrapartida do setor real, ou seja, o fluxo de bens e serviços e dos fatores de produção, isto é, Terra (T), Trabalho (L) e Capital (K)1.

As empresas utilizam o resultado de suas vendas (receita) para pagar os salários, os ordenados, aluguéis e outros custos de produção.
Por sua vez, as famílias utilizam a renda recebida para adquirirem bens e serviços produzidos pelas empresas.
No setor real, as famílias fornecem recursos às empresas, estas, por sua vez, suprem as famílias com bens e serviços.
No setor monetário, as empresas, utilizando a moeda como meio de pagamento, remuneram as famílias pelo uso de seus recursos, e as famílias retornam às empresas a renda auferida, ao pagarem pelos bens e serviços adquiridos2.
O Produto Interno Bruto (PIB3) é o valor da produção total de uma economia num dado período de tempo, dentro do território nacional e independentemente de quais sejam os detentores dos fatores de produção.
O PIB mede o valor de mercado de todos os bens e serviços finais onde nenhuma parte da produção é contada mais de uma vez.
O PIB é a quantificação da produção.
Ao procurar satisfazer suas necessidades, os membros de uma sociedade utilizam seus recursos para a geração de bens e serviços que supõem serem adequados ao seu possível bem-estar. Entretanto, os recursos são escassos e nem todas as necessidades podem ser satisfeitas. Quanto mais eficientemente os recursos forem utilizados mais necessidades poderão ser satisfeitas. Devido à existência de uma variedade enorme de bens e serviços, é preciso se estabelecer a relação de cada um deles com os demais. O preço é o indicador da importância relativa de cada um dos bens e serviços.
O produto total é o valor de mercado dos bens e serviços finais já que o valor dos insumos intermediários está incluído no seu valor corrente. Se adicionássemos o valor de todos os bens e serviços, teríamos uma contagem dupla relativa aos bens intermediários.
Para se produzir, há o desgaste de bens de capital. Essa perda de valor é chamada de depreciação.
Sendo os recursos escassos, as pessoas não podem ter tudo que almejam.
O PIB é a mensuração da produção total de uma sociedade num determinado período de tempo e dentro do seu território. Utiliza os preços como medida de todos os bens e serviços e inclui a depreciação como parte do produto total.
O PIB equivale à despesa com os bens e serviços ou à renda auferida pela utilização dos recursos.
O Produto é o valor, em moeda, da somatória de bens e serviços finais produzidos por um país num determinado período de tempo.
A Renda é o valor, em moeda, recebido pelos detentores dos fatores de produção, isto é, dos insumos necessários para se produzir.
Vamos supor, por meio de um exemplo simples, uma economia que possua uma empresa representativa de cada um dos três setores4 (primário, secundário e terciário) em que se divide a produção:
empresa do setor primário: responsável pela produção agrícola, extrativa e pecuária;
empresa do setor secundário: aqui estão localizadas as indústrias de transformação, desde fábricas de automóveis, estaleiros até pequenas metalúrgicas e
empresa do setor terciário: temos aqui todos os serviços, tais como, lojas de comércio, consultórios dentários, escritórios de arquitetura, bancos, etc.
A empresa do setor primário produz insumos para a empresa do setor secundário, esta os transforma e vende para a empresa do setor terciário que, por sua vez, os vende para o consumidor final.
O Produto e a Renda no nosso exemplo:
A empresa do setor primário gera um produto de R$ 1.700,00 que é distribuído entre salários (remuneração do trabalho = 800,00), aluguéis (remuneração da terra = 500,00) e de juros e lucro (remuneração do capital = 400,00).
A empresa do setor secundário adquire insumos do setor primário no valor de R$ 1.700,00. Ao cumprir sua atividade de transformação agrega um valor de R$ 2.500,00 (4.200,00 – 1.700,00), isto é, transforma R$ 1.700,00 em R$ 4.200,00 por meio de um acréscimo de R$ 2.500,00 referentes aos seguintes fatores de produção: remuneração do trabalho = 900,00 (salários), remuneração da terra = 400,00 (aluguéis) e remuneração do capital = 1.200,00 (juros e lucro).
A empresa do setor terciário utiliza-se da produção do setor secundário (R$ 4.200,00) imputando os seguintes fatores de produção: salários R$ 1.000,00, aluguéis R$ 600,00 e, finalmente, juros e lucro de R$ 1.600,00, perfazendo um valor agregado de R$ 3.200,00 (R$ 7.400,00 – R$ 4.200,00 = R$ 1.000,00 + R$ 600,00 + R$ 1.200,00). Nota-se que a sua receita total (R$ 7.400,00) foi toda distribuída entre os fatores de produção.
A renda do nosso exemplo é a remuneração dos fatores de produção, portanto a do setor primário é de R$ 1.700,00; a do setor secundário é de R$ 2.500,00 e do setor terciário é de R$ 3.200,00, perfazendo R$ 7.400,00.
O valor do produto é o valor dos bens finais, onde nenhuma parte da produção é contada mais de uma vez; logo o valor do produto é de R$ 7.400,00. Notar que não devemos somar o valor das três empresas, pois se assim o fizéssemos estaríamos tendo uma dupla contagem. O produto da nossa economia poderia ser obtido pela soma dos valores agregados de cada fase da produção: assim teríamos como valores agregados R$ 1.700,00 para o setor primário, R$ 2.500,00 para o setor secundário e R$ 3.200,00 para o setor terciário.
Vamos supor que os preços médios tenham aumentado de um ano para outro em 5% enquanto a produção permaneceu constante. Com esse aumento, o PIB teria aumentado, mesmo não ocorrendo um acréscimo real na produção. Um aumento do PIB relativo apenas a um aumento de preços informa que o produto é vendido por uma quantidade maior de moeda do que anteriormente. Se não ocorreu uma mudança na opção de consumo da sociedade, esse aumento (de 5%) indica que o valor da moeda diminuiu, pois são os bens e serviços que satisfazem as necessidades dos consumidores...
Para determinarmos a real variação do PIB entre dois períodos de tempo, é preciso calculá-lo a preços constantes, isto é, eliminarmos os efeitos da variação dos preços (inflação e deflação). O PIB a preços correntes é chamado de PIB monetário, e o PIB a preços constantes é denominado PIB real. Este é determinado ao se dividir o PIB monetário pelo índice de inflação.
Uma elevação no nível de preços é chamada de inflação; uma queda é denominada deflação.
Assim, o PIB:
  • . é o valor de mercado dos bens e serviços finais produzidos em um ano;
  • . equivale à despesa agregada despendida com bens e serviços;
  • . corresponde à renda total ganha na produção de bens e serviços.
O PIB real:
  • . exclui as variações de preço;
  • . fornece realmente aquilo que foi produzido.

1 Fatores de Produção: são os insumos utilizados para a produção de um bem ou serviço. Alguns estudiosos agrupam esses recursos em três grandes categorias: Terra, Homem e o Capital; outros em Homem e Capital; e outros acrescentam a tecnologia.
2 “Não há sociedade sem troca e nem troca sem sociedade” – frase expressa pelo pensador Frédérich Bastiat (1.801 – 1.885) em seu livro Harmonias Econômicas (1.850).
3 PNB: O Produto Nacional Bruto é o valor da produção total de uma economia num dado período de tempo e por residentes no país independentemente se dentro ou não das fronteiras do país. Notar que no PNB o que se leva em consideração é a origem dos detentores dos fatores de produção, enquanto que no PIB são as fronteiras onde a produção é realizada. A produção de empresas brasileiras no exterior não é contabilizada no PIB, pois não estão circunscritas nas nossas fronteiras, todavia é contabilizada no PNB, pois pertencem a residentes no Brasil. A produção de empresas estrangeiras aqui estabelecidas é contabilizada no nosso PIB, pois situa-se dentro das fronteiras do Brasil; contudo não faz parte do PNB pois pertencem a não residentes.

4
Alguns economistas admitem a existência de um quarto setor: Quartenário, relativo a informática, cibernética etc.