segunda-feira, 17 de outubro de 2016

A doença holandesa: dutch disease

Por ocasião do segundo choque do petróleo, a Holanda passou a explorar intensivamente suas reservas de gás natural no Mar do Norte. A sua receita com exportação aumentou espetacularmente. A grande entrada de dólares ocasionou uma expressiva valorização na moeda, que na época era o florim (hoje é o euro).
Esta apreciação da divisa nacional ocasionou uma derrubada na competitividade da indústria holandesa, a indústria têxtil e de vestiários praticamente desapareceram, enquanto que a produção de automóveis e navios declinaram.
Este fato, aqui relatado em linhas gerais, é o que se chama de “doença holandesa”, isto é, a “desindustrialização” oriunda da valorização cambial gerada pela exportação de commodities.
Para se contornar o problema de uma forte exportação de commodities e a valorização da moeda nacional, o governo poderá se utilizar, entre outros, de um dos caminhos abaixo, além de uma combinação entre eles:
1º) Compra dos dólares em excesso e assim impedir a valorização da moeda nacional mantendo o câmbio adequado às exportações. Entretanto, a compra de dólares implica no aumento do volume de moeda nacional em circulação, o que poderá ocasionar inflação. Para se “enxugar” o excesso de liquidez se faz necessária a emissão, pelo governo, de títulos da dívida pública. Com um volume maior de títulos há um aumento do endividamento (e, portanto da relação dívida/PIB), além de um possível aumento das taxas de juros, o que nem sempre é viável; além disso, deve-se considerar o custo dos títulos emitido (juros internos) vis-à-vis o rendimento dos dólares comprados e aplicados no exterior (juros externos).
2º) Instituição de um imposto sobre exportações de commodities. O montante desse tributo forma um fundo que compensa uma redução de impostos no setor industrial prejudicado. Este imposto sobre exportações aumenta o preço das commodities, dificultando as exportações.
3º) Comprimir as despesas públicas, de tal forma a se compensar o volume de divisas postas em circulação. Este excesso de moeda ocorre em virtude da compra dos dólares feita pelo governo (BACEN) para segurar a valorização da moeda nacional oriunda das exportações das commodities. Esta compressão das despesas deve ocorrer pelo lado dos gastos correntes, por meio de uma melhor gestão da rex-publica e não pelo lado do investimento.
4º) Uma adequada política de importação de bens de investimento de maneira a diminuir o custo de produção dos produtos manufaturados e diminuir a distância tecnológica dos setores mais atrasados por meio da incorporação dos novos equipamentos importados de tal forma a tornar o país mais competitivo no mercado externo. Esta política de importação não pode ser indiscriminada, pois, se assim fosse, realimentaria a “desindustrialização” e transferiria empregos do país para o exterior.