domingo, 23 de outubro de 2016

PIB Potencial

Nota-se que, em muitos anos, a quantidade de recursos utilizada é menor do que a disponível. Com isso, o PIB real foi menor do que poderia ser com a utilização plena dos recursos. A produção que poderia ter sido alcançada com a utilização total dos recursos recebe o nome de PIB potencial. Ele é a capacidade total de produção de uma economia ao utilizar todos os fatores de produção disponíveis.

Quando o PIB real é igual ao PIB potencial, os recursos disponíveis estão sendo completamente utilizados. Caso contrário, o PIB real é menor do que o PIB potencial.
Sempre que ocorre desemprego, os trabalhadores inativos, que poderiam estar sendo empregados para satisfazer necessidades da sociedade, não estão produzindo. Muitos estudiosos consideram o PIB potencial como o PIB real médio por trabalhador multiplicado pela quantidade de trabalhadores da força de trabalho.
O PIB em dólares pode apresentar crescimento por meio de duas maneiras:
  • 1º) crescimento real da economia e
  • 2º) valorização da moeda nacional (R$) em relação ao dólar (US$). Isto é, com o R$ mais apreciado, para uma igual quantidade de bens e serviços, ocorrerá um valor maior do PIB em US$.
Se o PIB aumentar por conta de uma valorização cambial, ou seja, se o R$ se valorizar em relação ao US$, mas se o PIB mundial subir por conta de crescimento da produção, a relação entre o PIB / PIBmundial poderá estar abaixo do presumido.
Se ocorrer crescimento, por meio da valorização cambial, os salários, em termos reais provavelmente subirão (e não necessariamente o emprego). Se o PIB crescer, sem apreciação cambial, o ajuste desse crescimento provavelmente se dará por meio do emprego.
A quantidade de produção das empresas e o preço que elas podem auferir com suas vendas dependem da despesa total que os agentes econômicos (famílias, empresas e governo) estão dispostos a adquirir.
A despesa total, por sua vez, é equivalente ao PIB monetário (que não é igual ao PIB real já que existe variação de preços).
Para determinar quando um aumento na despesa total corresponde a um aumento no PIB real, deve-se considerar a despesa total a preços constantes.
Essa despesa total a preços constantes é chamada procura agregada.
A procura agregada é o somatório dos dispêndios que os agentes econômicos fazem a preços constantes.
Se o PIB real fosse igual ao PIB potencial, então a economia estaria operando a pleno emprego.
Caso acontecesse um aumento na procura agregada, isto é, se as famílias, as empresas e o governo estivessem dispostos a adquirir mais produtos e serviços, não seria possível às empresas aumentarem sua produção, pois, sendo o PIB real igual ao PIB potencial, não haveria recursos disponíveis a serem empregados, e os preços subiriam, ocorrendo inflação.
Quando a procura agregada for maior que o PIB potencial, provocará inflação.
Agora, se a procura agregada, ao invés de aumentar, diminuir, ou seja, os consumidores estariam dispostos a comprar uma quantidade menor de produtos e serviços, e se os mercados funcionassem perfeitamente, os preços deveriam diminuir.
Em muitos mercados, os preços não caem. Isso se nota quando o PIB real cai abaixo do PIB potencial, e o nível de preços não diminui. Quando a procura agregada aumenta acima do PIB potencial, dar-se-á aumento de preços, inflação.
  • Se ocorrer um volume de procura insuficiente, o resultado será desemprego.
  • Se a procura agregada se situar no mesmo nível do produto potencial, ocorrerá pleno emprego sem inflação.
A procura agregada é igual ao PIB real até a situação de atingir o PIB potencial. Quando a procura agregada supera o produto potencial, cria-se o hiato inflacionário.
É possível uma modificação da curva da despesa agregada de tal forma a se evitar o hiato do produto (quando a procura é menor que o PIB potencial) ou o hiato inflacionário (quando a procura agregada é maior do que o PIB potencial).
A despesa agregada é a soma das despesas de consumo (C), de investimento (I) e do governo (G). Via de regra, o Consumo representa as despesas feitas pelas famílias e podem ser dividas em consumo de bens não duráveis (alimentos, etc.), bens semi-duráveis (vestiário, etc.) e bens duráveis (automóveis, etc).
O Investimento, num sentido amplo, é a alocação de recursos em instalações, máquina, equipamentos, imóveis, fábricas de tal forma que se gere produção ou aumente a capacidade produtiva.
Alterações nessas despesas (C; I; G) resultarão num deslocamento da curva da despesa agregada. Uma política fiscal expansionista elevará a demanda e a renda, todavia também elevará a procura por moeda e conseqüentemente a taxa de juros. Essa alta, por sua vez, poderá arrefecer os objetivos expansionistas da política fiscal. A despesa agregada também é função do nível em que se encontram os juros.
Com juros mais elevados, oriundos da expansão dos gastos governamentais, haverá um amortecedor na demanda agregada via redução (ou não crescimento dos investimentos), logo uma política fiscal expansionista poderá elevar o consumo. Contudo, poderá também reduzir o investimento por meio da alta induzida do custo do dinheiro – crowd-out1.
A despesa de consumo é função da renda. Quanto maior renda tiver uma família, é provável que ela gaste mais.
Como muitas famílias poupam uma parte de sua renda, a despesa de consumo é menor do que a renda disponível. Existe a possibilidade de um deslocamento da curva da procura agregada por meio de ações do governo referentes a seus gastos e impostos, isto é, por meio da política fiscal.
O governo pode modificar a curva da procura agregada administrando suas despesas e/ou impostos como também os pagamentos de transferência (transferências de renda à sociedade) cuja maior parte é acordada pelos benefícios referentes à Previdência Social. A despesa de consumo é gerada para suprir as necessidades dos consumidores.
O investimento significa dispêndio em acréscimo ao estoque de capital. A despesa de investimento se efetua com a finalidade da busca do lucro, pois, quando uma empresa investe, ela almeja aumentar sua capacidade de produção e, assim, auferir um melhor resultado. Ao investir em um bem de capital, este deve proporcionar um resultado maior do que seu preço de compra. O referido bem precisa potencialmente oferecer um retorno, tanto quanto qualquer outro ativo no qual os recursos poderiam ser alocados.
Não é suficiente que uma despesa de investimento possua uma taxa de retorno positiva. O investimento deve ter uma taxa tão alta quanto o retorno que possa ser ganho com qualquer outro ativo. Quanto mais baixa for a taxa de juros, mais será interessante a despesa de investimento.

1
Crowding out: termo utilizado quando aumentos nos gastos públicos, originados de corte de impostos ou crescimento de despesas governamentais, geram alta nas taxas de juros e, por sua vez, reduzem (crowd-out) o dispêndio em investimento.