sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Por que ser empresário?

As matérias a seguir são uma coletânea de alguns textos trabalhados durante a disciplina Empreendedorismo, do curso de Graduação em Ciências Contábeis pela Universidade de Mogi das Cruzes, concluído em 2008.

O dialogo a seguir expressa de maneira bastante eficiente, o pensamento da maioria das pessoas acerca da abertura de negócio próprio.
Nestor acorda pela manhã com a intenção de sair para caminhar, enquanto pensava na vida e nas coisas que vinha estudando sobre empreendedorismo.
De repente, ele encontra Reinaldo, seu amigo de escola, da época em que cursava o então primeiro grau.
(Nestor) - Reinaldo, que bom encontrá-lo tão feliz! Qual o motivo para tanta alegria?
(Reinaldo) -Ah, amigo, há muito tempo que dou duro numa empresa, como auxiliar de escritório. É trabalho que não acaba mais, oito horas por dia, 5 dias por semana, dá para aguentar uma vida assim ? Tô caindo fora irmão! Aproveitei que fui demitido e, com a grana que recebi, irei montar meu negócio. Finalmente, serei independente, “mandarei no meu próprio nariz” falou? Além de ganhar muito dinheiro, terei mais tempo para me dedicar à família; sair da rotina, da mesmice. Poderei até ficar em casa alguns dias e tirar férias quando quiser. Tem coisa melhor?
Ao ouvir de Reinaldo os motivos que o levavam a iniciar um novo negócio, Nestor espantou-se. Não podia acreditar que abrir um negócio fosse menos trabalhoso do que o dia a dia de um profissional assalariado.
(Nestor) - Mas Reinaldo, ter uma empresa própria exige que você trabalhe de 12 a 15 horas diárias no seu negócio. Tirar férias é muito mais difícil, pois dependem de você muitas decisões a serem tomadas na empresa. Numa pequena empresa, o empreendedor acaba tendo muito menos tempo disponível para a família, pois se torna dependente de fornecedores, bancos, clientes, funcionários, do governo, dentre outros. Além do mais, seu patrimônio pessoal fica comprometido com as operações da empresa. Não são tudo flores como você está pensando!
(Reinaldo) – Ah! Nestor, que papo é esse? Você acha que o sujeito que é dono de negócio precisa trabalhar? Sem essa, quem trabalha é empregado. Patrão só gasta a “bufunfa”.
(Nestor) – Ih, meu amigo, mas isso não funciona assim mesmo!! Primeiramente você tem de montar um plano de negócios. É ele quem vai nortear todos os seus passos para que você se dê bem na sua empreitada. No plano de negócios vão estar especificados os principais fatores necessários para a criação de um empreendimento, entendeu seu “apressadinho” ?
(Reinaldo) – Mas diz aí então, qual é a vantagem desse plano de negócios?
(Nestor muito empolgado) – Olha, na real não existe plano que garanta o sucesso do empreendimento, porém esse plano proporciona uma série de vantagens.
(Reinaldo) – Como assim?
(Nestor) – Quando tiver de ir aos bancos pedir empréstimo este plano se revelará um poderosíssimo documento, pois será através dele que você poderá justificar o seu desejo de abrir o próprio negócio. Só assim o gerente irá constatar que você está respaldado com um plano operacional, o qual provará, por A + B, a exiguidade de sua ideia empresarial. Ah, e tem mais: demonstra que o empreendedor Reinaldo está dando crédito e confiabilidade à sua ideia porque já entendeu que se tratando de negócios há que se considerar mercado consumidor, fornecedor, concorrência pesada, propaganda, avaliação de lucros e investimentos.
(Reinaldo) – Muito Interessante!
(Nestor) - Olha Reinaldo, a respeito daquilo que você pensa: que o empresário só gasta a “grana”, acho melhor você se informar bem sobre empreendedorismo antes de iniciar seu negócio. Na certa não será como você está pensando. Sei que abrir um negócio não depende só da vontade de ganhar dinheiro, mas de competência. Apenas a intenção não é suficiente. Você precisa conhecer muito sobre o negócio e ter capacidade para administrá-lo com efetividade.
(Reinaldo) - Sem essa Nestor, me encontre daqui a alguns anos e verá a encarnação do sucesso. Tchau!

Exemplo de um comportamento pouco empreendedor

Maurício e Rogério se conhecem desde a adolescência; muita bola e muitos porres tomaram juntos. Tornaram-se adultos e cada um seguiu uma profissão. Maurício, meio que sem vontade, passou no concurso para um Banco na cidade onde morava. Mas como naquela época ser bancário significava trabalhar meio expediente e ganhar razoavelmente bem, ele contentou-se e, assim que pode, abandonou a faculdade de Agronomia.
Já Rogério não teve a oportunidade de seguir adiante nos estudos; ainda menino acompanhava o pai, entregando cargas pelas estradas deste país. Assim, ao completar 18 anos virou caminhoneiro também. Adora aventuras e de preferência no litoral Nordeste: regado a sol, água de coco e gente bonita.
Com o passar dos anos, ambos sentiam que não estavam felizes em suas atividades profissionais e sempre que se encontravam comemoravam, choravam suas mágoas e sonhavam em trabalhar por conta própria, sem patrão e horários rígidos. Reclamaram tanto que Deus resolveu ouvir o pedido deles! Passados uns dois meses após seu último encontro, os dois estavam desempregados.
(Na calçada de uma rua qualquer – MAURÍCIO E ROGÉRIO - se encontram.)
(Rogério) – Você por aqui a esta hora?
(Maurício) – Pois é amigo. Sabe, fui fazer minha rescisão de contrato, estou desempregado. Fui pressionado a pedir demissão, sabe como é aquele papo de enxugar a máquina?
(Rogério) – Não diga! Cara, eu também perdi meu emprego... Ah, vamos tomar um cafezinho que te conto tudo.
Naquela tarde mesmo eles resolveram abrir um negócio juntos, já que compartilhavam o mesmo desejo e, até porque, para voo solo a grana não era suficiente. Afoitos para se tornarem proprietários, embarcaram na primeira oferta que lhes fizeram e, sem se informarem acerca das regras e procedimentos que envolvem um empreendimento, decidiram pegar a quitanda que fulano de tal, que sabe lá por quais motivos, estava passando adiante.
Negócio fechado, festinha de inauguração, começaram a trabalhar. Só que não se preocuparam em conversar com o antigo proprietário para perguntar coisas fundamentais, como por exemplo: Quem seriam seus fornecedores? Seriam eles rápidos e eficientes em suas entregas, reposição e trocas de mercadorias, primando pela qualidade e excelência? Quando se trata de produtos alimentícios, isto é uma baita responsabilidade, não é mesmo?
Não perguntaram nem a si próprios se iriam continuar atendendo apenas a clientela antiga ou se deveriam desenvolver estratégias visando a conquistar maior número de consumidores; ou ainda, inserir alguma prestação de serviços, como por exemplo, recebimento de luz, água e telefone.
Acreditavam que para um negócio dar certo só era necessário ter alguém que entendesse de contas a pagar, recebimento, prazos a cumprir, saldo devedor, receitas e despesas, anotações e conferências e fluxo de caixa. E se tem uma coisa de que Maurício, orgulhosamente saca é de planejamento e monitoramento sistemático, pois afinal, já trabalhou anos a fio num Banco.
Acontece que essa concepção de empreendedorismo é inconsistente porque, como vimos até agora, existem outras características do comportamento empreendedor que precisam estar presentes.
O movimento na venda estava abaixo de suas expectativas, mas acharam que isso deveria ser inerente a todo período de transição e logo iria melhorar. Afinal, eram tão populares na cidade que todo mundo iria querer comprar na quitanda deles.

Porém, chegou no 5º mês de funcionamento e o negócio ia de mal a pior. Decidiram, então, que tinham de tomar alguma atitude. E foi assim, sem avaliar os prováveis fatores responsáveis pela crise, e sem perceberem a delicadeza da situação e os riscos que corriam, que tomaram a atitude menos indicada: dispuseram o restinho do capital de giro da empresa numa reforma estética. Pode ???!!! Resultado: falta de planejamento para tomar a decisão correta levou ao fim do negócio.

Então é isso leitores. O texto serve para nos acordar sobre o fato que abrir uma empresa num país em crise como o Brasil não é fácil e menos ainda é manter o negócio funcionando. Não dá para o empresário tratar o negócio de qualquer jeito, com o lápis atrás da orelha e focar seus esforços apenas internamente. A concorrência existe, tem força e só se sobressaem aqueles que trabalham duro e tem ideias criativas para se levantar e encontrar soluções para resolver os problemas. Não é só dizer: cansei de ser empregado e vou abrir meu negócio para poder esfriar a cabeça, muito pelo contrário.