domingo, 18 de setembro de 2016

Diferenças entre as informações

Uma característica básica que distingue o GECON da contabilidade tradicional está na visão sistêmica que ambos apresentam sobre a empresa. Quando se busca analisar a empresa sob a ótica da contabilidade a informação que se consegue é financeira. É fato que se obtém 1 Texto extraído da Internet, mas que não apresenta informações para acrescentá-lo na bibliografia (Desconhecido 2007) dados detalhado dos juros, da depreciação, de como o ativo foi aplicado, qual é à margem de contribuição por produto específico. Mas isso não vai muito além. O GECON, ao contrário, funciona como um software, processando dados e gerando informações em tempo hábil para a tomada de decisões estratégicas.

Se no ativo é mostrado o quanto que o maquinário já foi depreciado, no GECON os gestores têm a disposição o banco de dados que apresenta quanto vale realmente aquele maquinário de modo amplo: não fica apenas na taxa de depreciação ou na vida útil; tem seu valor atualizado e corrigido conforme os processos que utiliza (como por exemplo, consumo de energia, horas, produtos) e também quanto valeria ao valor presente no mercado.
O GECON é flexível conforme as necessidades da organização, trabalhando com ela como um sistema aberto e dinâmico, com objetivos próprios que justificam sua existência. Conforme comenta R. V. Santos (R. V. SANTOS 2005) “o objetivo fundamental no sistema empresarial é a missão, onde a empresa como uma instituição social e organização de talentos formando um todo, tem na missão aperfeiçoar a satisfação das necessidades humanas”. Para atingir tal objetivo surge a eficácia organizacional, que segundo Masayuki Nakagawa, a eficácia
está associada diretamente com os resultados e produtos oriundos das atividades operacionais da empresa, em conformidade com suas metas e objetivos que frisam a consecução da sua missão básica (NAKAGAWA 1993).
É na missão e visão que a organização define a escolha de atividades e segundo esta deve ser feito o modelo que seja melhor para atender suas metas e necessidades. A seguir é apresentado o trecho do Relatório Anual de 2008 da Alpargatas sobre a visão e missão da empresa e observe o tipo de informação publicada por um relatório anual: Visão: Ser uma empresa global de marcas desejadas em artigos esportivos, calçados e têxteis industriais e;
Missão: Desenvolver e comercializar produtos inovadores, de alto valor percebido, com qualidade e rentabilidade classe mundial e criação de valor para os acionistas, funcionários, fornecedores e clientes, atuando com responsabilidade social e ambiental (CIA ALPARGATAS DO BRASIL S/A 2009).
E confrontando esses conceitos com a idéia de demonstração de informações que sirvam a formação e justificativa de estratégias tem-se o que escreve Martin (2002):
Embora os sistemas contábeis possam proporcionar taticamente mensurações a respeito dos custos dos recursos utilizados pela empresa, eles, por exemplo, nada dizem a respeito do por que estratégico da utilização destes recursos e também ignoram a dimensão do valor. Todavia, as empresas vivem hoje o chamado imperativo do valor, segundo o qual as transformações produtivas e executadas pelas empresas devem produzir valor através de seus bens e/ou serviços. Esse valor deve ser gerado de forma concomitante e equilibrado, tanto para o cliente/consumidor, em termos de custos, tempo, qualidade e outras dimensões de sua satisfação, quanto para os investidores/acionistas, em termos de retorno financeiro e de sua aplicação de recursos na empresa (MARTIN, 2002).
Como já foi comentada na introdução desse capítulo, a gerência das empresas utiliza-se da contabilidade e da controladoria para a tomada de decisões. A primeira utiliza-se das demonstrações contábeis, facilitando a análise de informações de maneira organizada e desse modo, processando-se a análise de fatos administrativos. Assim sendo, as informações extraídas desse modelo vão se concentrar em dados numéricos registrados em um período já encerrado, mensuráveis monetariamente e sob um formato padronizado.
Por outro lado, já a controladoria por sua vez é a área de responsabilidade interna à empresa e centrada como um sistema de informações, processando informações das demais áreas de responsabilidade na empresa referentes aos fatos e atos administrativos, na busca de eficácia organizacional na produção de bens e serviços. Apenas pelos conceitos fica clara a idéia de que a controladoria foi criada para dar o apoio às tomadas de decisão de forma que estas sejam exatas, beneficiando a organização e fazendo-a chegar ao resultado proposto.
Mas é claro que o ponto de divisão entre a contabilidade comum e a gerencial e mesmo a moderna controladoria não é assim tão visível. Como explica Iudícibus (1987) que aponta relatórios como o Balanço Patrimonial, a Demonstração de Resultado do Exercício e a Demonstração de fontes e Usos de Capital de Giro Líquido como possíveis fronteiras entre contabilidade financeira e gerencial (IUDÍCIBUS 1987, 16). Pois bem, contabilidade e controladoria são diferentes, mas por quê? Qual a diferença, afinal, não é ligada as finanças da empresa?
A diferença básica encontra-se no tipo de informação gerada pelas referidas áreas. A contabilidade convencional – contabilidade financeira – gera informações padronizadas, sendo rigidamente dirigida pelas normas, convenções, resoluções e leis do País. No caso do Brasil, estes padrões e estas normas estão na Lei das S.A.’s, nas normas expedidas pelo Conselho Federal de Contabilidade, pela Comissão de Valores Mobiliários – CVM –, pelo Banco Central, Secretaria da Recita Federal e lei constitucional entre outros. Como Martin (2002: 8) adverte:
Nada mais contraproducente e até mesmo perigoso para um tomador de decisões do que trabalhar com um modelo imperfeito. Determinados modelos ficam irremediavelmente ultrapassados quando se mostram incongruentes e sem capacidade explicativa em relação à realidade. O modelo de uma terra plana é dessa natureza. Outros modelos, por sua vez, podem evoluir, não só representando melhor uma realidade mais complexa através da incorporação de novas variáveis, mas também permitindo ao tomador de decisões a oportunidade de simular ou projetar dinamicamente possíveis estados ou resultados futuros. O modelo contábil-financeiro está nessa ultima categoria (MARTIN, 2002).
E com base no trecho acima é possível inferir que a contabilidade tradicional é um modelo que está ficando para trás no quesito informação para tomada de decisão, embora ainda seja muito útil e amplamente utilizado. É um modelo que carece de atualizações para continuar servindo à geração de informações que tragam soluções e decisões.
Mas por que o modelo contábil-financeiro precisaria evoluir? Segundo Martin (2002):
Como em qualquer outra área do conhecimento humano, as inovações em termos da contabilidade de apoio à gestão sempre aconteceram em consequência ou resposta a necessidades de informação. No século XV, a contabilidade de dupla entrada foi inventada para atender às necessidades de controle dos mercadores venezianos. A partir do nascimento da revolução industrial, o primeiro sistema de custos foi criado para que houvesse uma compreensão dos recursos que estavam sendo empregados nos produtos das novas fábricas. No século XIX, a invenção das estradas de ferro e do telégrafo encorajou a dispersão das atividades econômicas em vastas extensões territoriais e testemunhou o advento de grandes companhias de distribuição, fazendo com que novos indicadores contábil-financeiros fossem usados para avaliar o desempenho de cada um desses centros de negócios, muitas vezes separados entre si por imensas distancias. No final do século XIX, houve o surgimento dos primeiros conglomerados empresariais que forçaram a tecnologia contábil a adaptar-se para controlar o desempenho e consolidar as atividades de empresas com múltiplas subsidiárias e unidades de negócio. Com o advento da administração cientifica de Taylor e Fayol, no inicio do século XX, foram criados padrões de tempo e qualidade para a administração da atividade industrial e a contabilidade com a criação dos sistemas de custo-padrão (MARTIN, 2002).
E o que a análise financeira das demonstrações contábeis e a contabilidade de custos poderiam ter em comum ou mesmo em agregar à contabilidade gerencial? Segundo Iudícibus (1987): “A análise financeira de custos e a de balanços, por exemplo, tanto podem servir para o empregador de dinheiro na avaliação da segurança do retorno do empréstimo ou financiamento como para a gerência na avaliação de tendência da empresa. Provavelmente, ambos se utilizarão de um bom número de índices calculados da mesma forma, com ênfases diferenciadas” (IUDÍCIBUS, 1987, p. 16).
Para se gerar uma informação contábil, o contador da empresa utiliza-se de ferramentas da contabilidade, quais seja o Balanço Patrimonial, a Demonstração de Resultado do Exercício, a Demonstração de Fluxo de Caixa, Demonstração de Mutações do Patrimônio Líquido,
Notas Explicativas e Demonstração de Origens e Aplicações dos Recursos. Logo, segue demonstrações padronizadas, com regras e com tipo de informação e aparência obrigatórias para determinados tipos de empresas. Mas ainda assim, tendo em mão todos os demonstrativos contábeis da empresa, o que falta ao contador de custos tradicional em relação ao controller ou contador gerencial. Iudícibus (1987) responde a essa questão assim “um contador de custos tradicional, por exemplo, que não tenha sido exposto à ênfase da contabilidade gerencial, ao apurar as variações entre o custo orçado e real, limitar-se-á a informar tais variações e a incluí- las ou não na demonstração de resultados.
Um contador “com mentalidade gerencial” vai utilizar tais variações, até o extremo grau possível de detalhe, para tentar enveredar um inicio de contabilidade por responsabilidade ou, pelo menos, para discernir quais as áreas que merecem uma investigação maior, por causa das variações apuradas (IUDÍCIBUS, 1987, p. 17).
E ainda como explicam Rocha e Selig (2009) em relação à contabilidade de Custos: “A contabilidade de custos sob um enfoque predominantemente gerencial deve estar concentrada em gerar informações mais analíticas, produto de analises e interpretações mais detalhada dos fatos, assumindo assim um caráter preditivo e não mais histórico” (ROCHA e SELIG 2009).
Segundo Martin (2002) “o século XX também assistiu ao imenso desenvolvimento dos mercados financeiros e à emergência das empresas abertas, que são aqueles que têm seus títulos de participação ou de empréstimos negociados nesses mercados”.
Para atender aos interesses externos nos mercados financeiros a contabilidade geral teve que se adaptar, padronizando princípios na elaboração das demonstrações contábeis. Os usuários das informações produzidas pela contabilidade da empresa, como gestores, acionistas e governo nem sempre tem profundos conhecimentos que permita a eles um pleno entendimento da informação gerada. E continuando o raciocínio de Martin (2002):
Entretanto, o Fisco, em todos os países do mundo, logo se aproveitou dos impostos sobre o lucro empresarial, também fossem preparados segundo tais diretrizes, sempre adicionando, é claro, restrições e aditivos, que somente atendem aos seus próprios interesses de arrecadação. A elevadíssima burocratização, catalogação, regulamentação, desvio do foco gerencial e subordinação aos interesses fiscais, que ocorreram nesse ramo da contabilidade nas cinco ultimam décadas, fizeram com que ele se tornasse quase totalmente incapacitado para servir às finalidades da gestão empresarial. Não obstante, ao se falar em contabilidade no Brasil, mais de 80% das empresas – e um percentual igual de contadores – trabalham apenas com este tipo de contabilidade (MARTIN, 2002, p. 9).
O gestor ou o presidente da empresa precisa de informações especiais, uma vez que com base nos dados que recebe toma suas decisões que nortearam os rumos da sociedade empresarial. Mas como que o gestor terá as informações que precisa se 80% dos contadores não dedicam seu tempo aprimorando técnicas de contabilidade gerencial ou de controladoria e prendem-se apenas as obrigações impostas pelos fiscos do País?
A contabilidade gerencial, apesar disso não parou de evoluir. A contabilidade gerencial ainda conseguiu responder com algumas inovações técnicas. É um exemplo dessa resistência da contabilidade gerencial o Activity Based Costing – Custeio ABC, os custos de qualidade e o target costing.
O Custeio ABC será visto mais a frente, mas, apenas como comentário, é adiantado a seguir por Rocha e Selig: “Neste sistema, os custos variáveis são alocados diretamente ao objeto de custeio, enquanto que, os custos indiretos são rastreados e na impossibilidade de efetuar-se tal rastreamento, eles são rateados. Portanto, todos os custos são absorvidos pelo objeto de custeio, seja através da alocação do rastreamento, ou do rateio” (ROCHA e SELIG 2009).
Mas, na ultima década do final do século XX já havia uma grande e generalizada percepção de que essas últimas iniciativas e criações dos ambientes corporativos ainda não seriam suficientes e sendo assim, não conseguiriam adaptar integralmente o modelo e a metodologia contábil às necessidades informativas da moderna gestão, em condições de “elevadíssima volatilidade e contínuas mudanças. Segundo Martin (2002): “As causas dessa forte volatilidade são muitas e se reforçam mutuamente.
A globalização dos mercados de produtos e de capitais, por exemplo, leva os países a ter de adaptar continuamente suas economias para conseguir maior abertura e competitividade, com diferentes graus de sucesso. “[...] em cada empresa, essa extrema volatilidade leva inevitavelmente a uma reorientação de sua administração para o nível estratégico, dando ênfase menor ao nível tático” (MARTIN, 2002).
Logo, a volatilidade leva a empresa a focar-se mais no planejamento, isto é, onde se tomam as decisões sobre que fazer (como o quê, quando e onde produzir, o que imobilizar) e diminuem o nível tático, quando se decide como executar o já planejado (por exemplo, tempo de produção, níveis de atendimento, qualidade dos produtos e serviços, etc.).
A controladoria, sob este contexto, surgiu por que a contabilidade evoluiu com velocidade mais lenta ao ritmo dos negócios. A empresa cria o departamento de controladoria da forma que melhor sirva a seus interesses, sem a necessidade de seguir padrões. A controladoria surge então, devido à Evolução da Contabilidade dar-se em ritmo mais de vagar aos dos negócios corporativos. Antigamente, não se premiava um funcionário. A evolução fez ser necessária a remuneração e a contabilidade não se adaptou a isso. Para o usuário buscar essas informações vai à controladoria.
A contabilidade vem se desenvolvendo em nível inferior aos das corporações e nesse cenário surgiu a controladoria e suas ferramentas de controle e desempenho estratégicas para o melhor desenvolvimento dos negócios. Como explana Coutinho (2004):
No início dos anos 90, as organizações passaram a incorporar a visão de processos nos negócios na busca pela qualidade, produtividade e eficiência gerencial. As idéias de Hammer de reengenharia e todo o movimento internacional de normalização ISSO e pela qualidade total, influenciaram e continuam influenciando fortemente os padrões da indústria. Alguns anos mais tarde, a própria tecnologia de informação passou a incorporar o conceito de processos de negócios nos chamados sistemas de gestão empresarial através dos ERP’ s – Enterprise Resource Planning. Ao programar os sistemas ERP, muitas organizações foram convidadas a refletir sobre o fluxo de atividades que entrega valor ao cliente (a chamada cadeia de valor). Funções empresariais como suprimentos, logística, vendas, produção, engenharia, até então entendidas como atividades isoladas em “silos” do negócio, foram repensadas em fluxos lógicos e integrados, a exemplo do processo ‘Compras até Pagamento’, ‘Vendas até Recebimento’ e ‘Do Contato ao Contrato com Cliente (COUTINHO 2004)’.
Na virada do século XIX não havia petróleo, química avançada nas indústrias, engenharia de ponta. No século XX surgiu a Ford, que produzia o seu carro modelo T, mas, com o passar do tempo, todos queriam e tinham o veiculo automotor e era fácil saber se a empresa tinha lucro e qual o seu valor.
Porém, quando os pedidos aumentaram, o presidente da Ford teve que ampliar o negócio e em decorrência disso, ele sozinho não podia mais controlar e administrar todas as operações da empresa sem descentralizar gerencia, além do fato de que a empresa sozinha não dava mais conta de produção ao ponto de suprir toda demanda. O presidente da Ford então passou a ficar apenas na gerência da empresa, apenas na tomada de decisões e para tanto, precisaria de novos tipos de informações.
Uma empresa é competitiva para seus investidores, isto é, seus proprietários e demais acionistas, se, ao menor risco possível, for capaz de cumprir duas condições de remuneração do capital que investiram. Primeira: éter capacidade de prover,curto prazo, um retorno superior a media das outras empresas do mesmo ramo de negócios. Segunda: fazer com que tal retorno, a médio e longo prazo,nos igual à taxa de rentabilidade mínima esperada pelos investidores, que é o custo do capital próprio. Em outras palavras, uma empresa deve assegurar um fluxo estável, sustentável e adequado de retorno aos seus investidores, realizando um equilíbrio financeiro entre os objetivos de curto e de longo prazo (MARTIN, 2002).
Dessa forma conclui gerem valor aos clientes e que seus processos tragam o retorno mínimo esperado pelos investidores superior a média no curto prazo e igual à taxa de rentabilidade esperada no médio e longo prazo. Veja-se a figura a seguir, extraída de Martin (2002):
Figura 15-2: Produção de Valor Empresarial
Não há como negar que com a globalização e evolução tecnológica dos processos, as organizações apenas conseguirão se mantiverem atuantes no mercado se mobilizarem seus recursos em prol da geração de valor, submetendo seja, “será tão mais bem sucedida quanto maior for o valor que produzir para os clientes e

para os investidores e, mais importantes, quanto maior for o diferencial de valor que obtiver em relação à concorrência, pois somente assim poderá assegurar a preferência dos atuais e potenciais clientes e investidores” ((MARTIN, 2002).