quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Relacionamentos no ambiente de trabalho

Nesta postagem apresentaremos alguns aspectos relacionados ao comportamento no ambiente de trabalho quando há o envolvimento mais "próximo" entre funcionários. Como deve ser um comportamento ético nesse aspecto, visto que é importante preservar as relações profissionais acima das pessoais?

      Entre colegas, coordenadores e gerentes

Podemos discorrer sobre o Código de Ética para começar esse assunto:
Os códigos de profissões regulamentadas por Conselho de Classe são impositivos porque quem os elabora possui autoridade delegada pelo Estado não apenas para criá-los, mas para fazê-los cumprir. Pode-se considerar, como exemplo, a profissão contábil. Ao Conselho Federal de Contabilidade (CFC) foi concedido por delegação do Estado, a partir do Decreto-lei 9295/46, autoridade para punir atos que contrariem as normas de conduta estabelecidas pela classe, quando do exercício Contabilidade profissional, aplicando punições como advertência reservada ou censura pública [ALVES et al, 2007].
Vale lembrar que no Brasil, ainda que não existam normas que obriguem a constituição de Códigos de Ética empresariais, em algumas profissões, como: Contabilidade, Administração ou Direito, o exercício da atividade profissional, seja como autônomo ou assalariado, é regido, entre outras normas, por um Código de Ética profissional emanado do órgão de classe [ALVES et al, 2007]. e ainda segundo o autor citado:
Entretanto, essa adesão ao Código, por si só, é insuficiente para elucidar como ocorre a tomada de decisão ética. Há de se considerarem os fatores individuais, tais como: o nível de escolaridade do contabilista, bacharel ou técnico em Contabilidade, sua idade, o tempo de registro no Conselho, a religião que professa, entre outras variá veis, as quais ajudam a constituir a sua identidade moral.
É importante destacar que esses fatores têm características que podem influir no posicionamento do profissional em relação aos dilemas éticos que ele enfrenta na sua prática profissional e, consequentemente, na sua percepção sobre as normas contidas no Código de Ética [ALVES et al, 2007]. a seguir daremos algumas sugestões de como proceder de forma ética dentro de um bom senso.
Saiba respeitar as diferenças individuais, aja de forma cortês, com disponibilidade e atenção a todas as pessoas com quem se relaciona, independentemente de seu cargo na empresa.
  • Reconheça os méritos relativos aos trabalhos desenvolvidos por colegas ou gerentes;
  • Não prejudique a reputação de colegas ou gerentes por meio de julgamentos preconceituosos, falso testemunho, informações não fundamentadas ou qualquer outro subterfúgio;
  • Não busque obter troca de favores que aparentem ou possam dar origem a qualquer tipo de compromisso ou obrigação pessoal;
  • Estimule a manifestação de ideias, quando alinhadas com os objetivos das empresas, mesmo que representem mudança significativa. Isso é importante tanto para o empregador na qualidade de desenvolvedor do código de ética, quanto para o empregado, uma vez que por exemplo, um profissional que se reconheça como praticante de uma religião pode aderir ao código por ele conter os mesmos princípios que regem a sua vida religiosa, levando-o a considerar que, por dever profissional e religioso, ele deve utilizá-lo ao se deparar com problemas éticos em seu dia a dia [ALVES et al, 2007].
Devemos ter em mente aqui que não apenas os funcionários devem comportar-se de forma a ter o melhor relacionamento profissional possível no ambiente de trabalho, uma vez que a própria empresa o deve incentivar. Uma empresa mesmo sendo uma organização voltada ao lucro deve saber lidar com diferentes personalidades de cada empregado ou colaborador, estabelecendo os parâmetros, sem que isso a coloque acima dos aspectos de bem e mal. Assim temos que:
A natureza das empresas não é amoral, pois suas atividades não pairam acima do bem e do mal. Reconhecer tal fato representa um passo decisivo para a “saúde” das empresas. Implica abandonar o velho registro da “maximização do lucro” em benefício do “lucro com responsabilidade social”. Trocando em miúdos, as empresas não mais desempenham apenas uma função econômica, mas também uma função ética. Os empresários competitivos o admitem não por altruísmo, nem por um repentino insight democrático, mas porque se curvam ao bom senso e às relações de força, fiéis a uma estratégia de sobrevivência empresarial [SILVA et al, 2004].
Ademais, a empresa capitalista, embora se mova num contexto onde imperam códigos morais, só passa a comportar-se de modo socialmente responsável quando sua continuidade está em risco, quando enfrenta a intervenção organizada das contrapartes com as quais lida ou quando mergulha no cabo de guerra das relações de poder. Sem contrapartes ativas, a maximização do lucro leva a melhor [SILVA et al, 2004].
Uma dica que deixamos qui é que se os funcionários que interagem mais frequentemente com pessoas de fora da companhia, e que mais provavelmente tomarão as decisões, deveriam assinar declarações de que leram e cumprirão as políticas de ética da empresa. Todos os empregados, no entanto, precisam entender que todos são obrigados a obedecer a esses códigos. Além disso, os administradores devem agir como modelos para os outros empregados. Dando um bom exemplo, os administradores demonstram e reforçam o comportamento ético esperado dos outros funcionários [SILVA et al, 2004].


      Emocionais entre colegas de trabalho

Este assunto foi, é e sempre será muito polêmico, pois dependendo da diferença de hierarquias entre o casal, com certeza surgirão comentários maldosos. Portanto, ao se relacionar com um colega de trabalho tome os seguintes cuidados:
  • Você e um colega se apaixonaram: se a empresa não proíbe namoro entre funcionários e vocês são desimpedidos, não vale a pena esconder. Os colegas desconfiam, descobrem e fofocam;
  • Enquanto estiver na empresa evite os apelidos carinhosos e telefonemas melosos. Nada de “fofo”, “lindinha”, “bebê” e “neném”;
  • Não constranja os colegas nem cause falatório criando situações para ficar a sós com seu amado ou sua amada.;
  • Cenas de ciúme e bate-boca são péssimas para sua imagem na empresa;
  • Se brigar com ela (ele), deixe a cara fechada e a reconciliação para fora da empresa. Seu romance não é novela, para ser acompanhado capítulo a capítulo;
  • Não policie os horários da (o) sua (seu) parceira (o) e muito menos crie empecilhos para que ela (ele) almoce com colegas ou superiores sob o argumento “você não liga mais para mim”;
  • Você e o chefe se apaixonaram: em muitas empresas, trata-se de amor proibido. Vocês podem tentar escondê-lo por um tempo, mas correm sérios riscos;
  • Do ponto de vista ético, o melhor a fazer é pedir, rapidamente, uma transferência de departamento, já que o romance pode comprometer o trabalho. Se não for possível uma transferência, a saída mais correta é um dos dois pedir demissão. Durante o período de impasse, ajam com absoluta discrição, pois os fofoqueiros de plantão adoram comentar sobre situações como essa;
  • Paixão por alguém casado: em casos assim, trata-se de nitroglicerina pura. Se o romance se tornar público, amor, trabalho e família virarão uma grande confusão e isso é péssimo para a carreira;
  • Evite comentar o assunto em voz alta e não transforme seu drama em tema de debate no fumódromo.


      INTIMIDAÇÕES

São intimidações éticas no ambiente de trabalho.
  • Jamais tolere ameaças ou assédios de qualquer tipo;
  • Não se submeta a situações de assédio moral (entendido como o ato de desqualificar repetidamente, por meio de palavras, gestos ou atitudes, a autoestima, a segurança ou a imagem do empregado em função do vínculo hierárquico) e denuncie o assediador;
  • Respeite a hierarquia, porém informe imediatamente à gerência superior qualquer comportamento irregular, desde que devidamente fundamentado;
  • Comunique imediatamente aos seus superiores hierárquicos, para que as providências cabíveis, qualquer aliciamento, ato ou omissão que julgue contrários ao interesse da empresa;
  • Não ceda a pressões que visem a obtenção de vantagens indevidas.
Essas intimidações apresentam-se como mandamentos impostos ao empregado no ambiente de trabalho e existem para harmonizar o convívio entre as pessoas da forma mais saudável possível. No entanto, nem sempre são atendidas e assim:
Sempre que ocorre o desrespeito a alguma das regras morais, este pode provocar uma tácita ou manifesta atitude de desaprovação. Apesar de haver em cada indivíduo uma reação instintiva contrarregras e obediências a qualquer autoridade, até hoje nenhum grupo ou comunidade pôde existir sem normas constrangedoras da moral. Se, por um lado, as regras molestam o indivíduo, por outro, preservam a sociedade em que ele vive; agem como um mecanismo de autodefesa e preservação do grupo. Como os indivíduos só podem viver em função da comunidade, ficam assim compensados do sacrifício pessoal que são obrigados a fazer [SILVA et al, 2004].
Segundo ALVES at al, 2007, apud Alves (2005), a obediência do indivíduo não decorre apenas de seu caráter punitivo, se descumprido, mas principalmente da percepção do profissional de que esse conjunto normativo é útil como guia de conduta e reconhecido, de maneira espontânea, como um importante aspecto da atividade profissional.


      FEEDBACK

Feedback: conjunto de sinais perceptíveis que permitem conhecer o resultado da mensagem; é o processo de se dizer a uma pessoa como você se sente em função do que ela fez ou disse. Para isso, fazer perguntas e obter as respostas, a fim de verificar se a mensagem foi recebida ou não.
Como a comunicação eficaz é um processo de troca bidirecional, o uso de Feedback é mais uma maneira de se reduzir falhas de comunicação e distorções.
São habilidades de Feedback:
  • Assegurar-se de que quer ajudar (e não se mostrar superior);
  • No caso de Feedback negativo, vá direto ao assunto; começar uma discussão com questões periféricas e rodeios geralmente cria ansiedades em vez de minimizá-las;
  • Descreva a situação de modo claro, evitando juízos de valor;
  • Concentre-se no problema (evite sobrecarregar o receptor com excesso de informações ou críticas);
  • Esteja preparado para receber Feedback, visto que o seu comportamento pode estar contribuindo para o comportamento do receptor;
  • Ao encerrar o Feedback, faça um resumo e reflita sobre a sessão, para que tanto você como o receptor estejam deixando a reunião com o mesmo entendimento sobre o que foi decidido.


      CONCLUSÃO

A Ética é algo que não pode ser definido como certo ou errado. É a forma de como as pessoas acreditam, é o bom senso, em suma, e como você observa o mundo ao seu redor. Em complemento, “A chave da discussão contemporânea gira em torno do egoísmo ético em choque com as morais socialmente orientadas. Assim é que se rastreia essa dupla moral social: uma moral da integridade, que é a moralidade oficial, edificante e convencional, compondo uma retórica pública que se difunde nas escolas, nas igrejas, nos tribunais e na mídia; e uma moral do oportunismo, que é a moral oficiosa, pragmática e dissimulada, furtivamente praticada como ação entre amigos, e muitas vezes celebrada pela esperteza” de seus procedimentos” [SILVA et al, 2004].
Infelizmente a Ética, postura profissional, relacionamento no ambiente de trabalho transformou-se em chavões onde ninguém sabe explicar o que é certo ou não, ou melhor, pode-se notar que a Ética já não está sendo respeitada.
O coerente seria que as organizações desenvolvessem códigos de condutas, assim poderiam mostrar o que é “correto” para aquele ambiente de trabalho. Uma vez tendo isso bem exemplificado e explicado, não deixaria margem para questões sem o menor pingo de cuidado do uso de termos sem o menor sentido, que em vez de ajudar acabam por prejudicar e muitas vezes ofender as pessoas.


Bibliografia
ALVES et al, 2007: ALVES, Francisco José Dos Santos; LISBOA, Nahor Plácido; WEFFORT, Elionor Farah Jreige; ANTUNES, Maria Thereza Pompa, Um estudo empírico sobre a importância do código de ética profissional para o contabilista, jun./ 2007
SILVA et al, 2004: SILVA, Solange Maria da, PEREIRA, Anísio Cândido C., RODRIGUES, Gregório Mancebo. M., PENHA, José Carlos, GIACOMAZI, Luís César, MARCOLINO, Osmar, A ética e o profissional de contabilidade no novo milênio, 2004