quarta-feira, 5 de abril de 2017

O que é a Contabilidade?

Quando eu ainda estava no ensino médio ouvia dizer que escolher uma profissão dedicada à Contabilidade significaria dizer que se passaria o resto da vida fazendo contas. Até mesmo quando eu estava no primeiro semestre um colega que estudava engenharia me perguntou o que era o objeto de estudo da Contabilidade. De uma forma geral as pessoas têm uma ideia bem distorcida dessa ciência e ainda mais do que o profissional se empenha. É para desmitificar isso que vem este livro, que aborda desde o básico do básico da introdução teórica mais básica até oc conceitos mais avançados da Ciência Contábil.

Neste capítulo serão apresentados os fundamentos do que é a Contabilidade, qual o seu objeto de estudo e o principal, porque contabilidade não é só viver fazendo conta – até porque para isso existem os sistemas computadorizados – mas sim, o trato com as interpretações do patrimônio.
Para começar a discorrer sobre o que vem a ser essa tal de Ciência Contábil ou Contabilidade é prudente levantar um pouco o seu histórico. Não se preocupe q=pois ainda não serão mostradas datas. Refiro-me a ao uso de preceitos de contabilidade em sua essência, como forma de se poder exercer controle sobre o patrimônio, seja ele um veículo, dinheiro ou quantidades de animais e bens imobiliários. Em linhas gerais, conforme afirma a Fundação IDEPAC para o Desenvolvimento Profissional em seu trabalho intitulado “Contabilidade Cursos Semi extensivo e Avulso”, a Contabilidade é uma das ciências mais antigas estudadas pelo homem e sempre foi utilizada como instrumento de aplicação prática.
Como toda ciência, a Contabilidade também recebeu uma série de influências de estudiosos, cientistas e pesquisadores. Entre as quais citam-se o vindo pela Escola Patrimonialista (1926) definem que a Contabilidade tem por objeto o patrimônio das Entidades e na qualidade de uma ciência visa o estudo de vários fatores que venham a afetar as situações patrimoniais, financeiras e econômicas das pessoas físicas ou jurídicas, seja empresas privadas, entidades sem fins lucrativos, entidades filantrópicas, empresas públicas, como o Estado, Municípios, União, Autarquias, etc.
Atualmente a Contabilidade tem como maior finalidade, mostrar a situação da empresa para as pessoas interessadas nestas informações, sejam elas funcionários, administradores e/ou gestores, governo, fornecedores entre outros. Essas pessoas (chamadas de Stakeholders) estão ligadas diretamente ou indiretamente à empresa e utilizam-se das informações geradas e apresentadas nos demonstrativos da Contabilidade para tomarem decisões. Pode parecer que é muito possível que um forne cededor utilize-se de um Balanço Patrimonial para saber se um possível cliente tem como bancar os custos de uma grande compra, mas quanto a um funcionário isso pode a princípio parecer sem sentido. Todavia, um empregado que acompanha a saúde financeira da empresa onde está alocado tem mais chances de saber quando o “barco vai afundar” e sair para procurar emprego antecipadamente.
É claro que não são apenas as pessoas jurídicas que usufruem da Contabilidade, uma vez que as pessoas físicas, como eu e você, por meio de conhecimentos básicos, podemos ter um controle e um bom equilíbrio nos orçamentos domésticos. E justamente nisso está o objeto da contabilidade: controlar o Patrimônio. Mas alguém pode vir a perguntar? Tudo bem o patrimônio de uma grande empresa, que precisa tomar decisões de investimentos, saber se vai ter lucros numa exportação, definir bem os custos de produção para saber se vale a pena cortar um produto e terceirizar entre outras coisas, mas uma pessoa física ou uma empresa pequenininha não há sentido? Pois a resposta é que há sim e muito sentido nisso. Tanto faz se o usuário da informação é o alto executivo de uma indústria ou se é um dono de um mercadinho da rua de cima de um bairro qualquer da cidade, bem como se é um sujeito que ganhou uma herança ou que por qualquer razão tem um montante de dinheiro guardado. Todos estes têm patrimônio, isto é, tem um somatório de bens ou direitos que precisam ser mensurados (contados e controlados) para se saber exatamente o seu valor.
Por exemplo, o dono do mercadinho tem dinheiro em caixa e em conta-corrente. Quanto de juros rende a conta-corrente? Ele tem funcionários? Se tiver, como contabiliza os encargos trabalhistas e sociais deles? O prédio onde funciona o estabelecimento é dele ou é alugado? Está no nome da empresa ou dele mesmo? Se ele fosse passar o ponto para um terceiro, quanto ele pediria pelo seu estoque? São questões de demandam conhecimento monetário. Não tem como saber quanto custa um estoque se não saber quanto custou a entrada de cada mercadoria, o seu frete, impostos e por quanto cada item é vendido. Também não dá para saber se a empresa teve lucro ou prejuízo sem confrontar todas as receitas obtidas com as vendas contra todos os custos e despesas incorridos.
E do mesmo modo, como você administra o seu orçamento doméstico? Gasta mais do que ganha? Como controla os recursos? Para saber isso precisa saber exatamente no que gasta. Ademais, muita gente reclama que não consegue sair do vermelho e que não tem como fazer o dinheiro render até o final do mês. Mas será mesmo que não vem gastando com itens que poderiam não ser gastos. As vezes aquele lanchinho de final de semana, se contado ao longo de todo o mês, pode mostrar um rombo de gasto que poderia ser substituído por outro mesmo pior. Ao final das contas, se colocar no lápis tudo o que entra e tudo o que sai e fizer um acompanhamento periódico disso vai se descobrir que o dinheiro não é tão pouco assim e pode ser melhor aproveitado.
Tudo isso é o trabalho da Contabilidade, é certo, em menor ou maior grau de uso, mas não deixa de ser um controle e mensuração sobre o patrimônio. Assim, mesmo uma pessoa física pode ser equiparada a uma empresa caso movimente recursos patrimoniais, e não precisa ser lá muita coisa: o financiamento de um carro, o aluguel da casa, as entradas de salário e rendimentos de contas de investimentos, são todos itens que podem e devem ser controlados e mensurados para que se saiba o que se tem em bens e direitos, bem como qual é o resultado de todo esse movimento.
Partindo sobre ua ótica mais ampla, como um orçamento doméstico é como um orçamento governamental: se de um lado o cidadão comum tem que se manter com o que ganha, o município, Estado, Governo também tem que saber como gastar para que não falte recurso em áreas indispensáveis. No entanto, não é bem isso o que vemos, pois quando falta recurso o Governo pega mais por meio de aumento na arrecadação tributária. Mas nós não podemos fazer o mesmo. Mas mesmo assim, como o governo sabe que gastou mais do que entrou, bem como sabe estimar quanto deverá arrecadar para encobrir buracos? Por meio da Contabilidade.
Como dá para ver, a Contabilidade é de suma importância quando nos referimos à administração de recursos financeiros e de todo o patrimônio de modo geral, seja este de uma pessoa física, de uma empresa ou do bem público. Por esta razão, dependendo do ramo que se busca, no Brasil atual, o profissional contábil está em alta no mercado de trabalho e o mais importante para competir nesse mercado é estar sempre atualizado e ser um profissional generalista, além de ter um foco nesta área do conhecimento que é muito ampla.
Dá para contar com vários profissionais qualificados e com alto nível de conhecimento, sendo considerado em média, um dos melhores profissionais liberais. O crescimento do profissional se dá à obrigação das empresas buscar um melhor planejamento e controle no seu processo de adequar-se no mercado que hoje está muito concorrido. É claro que se formos olhar para um profissional de contabilidade de uma pequena cidade atuante em seu escritório de contabilidade podemos não ver essa valorização e muitas vezes a culpa disso é do próprio profissional, que não sabe valorizar todo o arsenal de conhecimento e técnicas que possui e se contenta a apenas trabalhar como uma forma “mais evoluída” de um despachante. Se formos comparar os salários deste ao de um Controller, um auditor independente ou um Perito Contábil, vemos o abismo que os separa. A coisa é que eles sim escolheram ramos onde a Contabilidade é tratada como Contabilidade, pura em sua essência de mensurar o patrimônio com exatidão e desafiadora, pois exige o maior preparo destes profissionais.
Como está na literatura especializada e que agora a cito, “a contabilidade é uma das áreas que mais propiciam oportunidades para o profissional”[MARION, 1997]. Diferenças entre o técnico de contabilidade e o contador: O tecnólogo é o indivíduo que não fez o curso superior de Ciências Contábeis de quatro anos. Fez apenas o curso técnico de dois anos, menos eficiente do que o formado como bacharel em ciências contábeis, profissional registrado com curso de graduação e de nível superior.

Bibliografia
MARION, 1997: MARION, José Carlos, Contabilidade Empresarial, 1997